13 de janeiro de 2011

Vitória de Pirro?

A expressão recebeu o nome do rei Pirro do Épiro, cujo exército havia sofrido perdas irreparáveis após derrotar os romanos na Batalha de Heracleia, em 280 a.C., e na Batalha de Ásculo, em 279 a.C., durante a Guerra Pírrica. Após a segunda batalha, Plutarco apresenta um relato feito por Dioniso de Halicarnasso: (...) Pirro teria respondido a um indivíduo que lhe demonstrou alegria pela vitória que "uma outra vitória como esta o arruinaria completamente".

Na sequência do post anterior e porque eu próprio já tinha manifestado sérias dúvidas quanto ao optimismo gerado pela colocação de divida de ontem, socorro-me da recente opinião de um Nobel da Economia que já tive oportunidade de ler ("A Crise de 2008 e a Economia da Depressão") e que julgo merecer, no minimo, alguma atenção:

O Nobel da Economia alerta que mais sucessos como o do leilão português de ontem e a periferia europeia será “destruída". Na apreciação que Paul Krugman faz no seu blogue, o economista considera a taxa de juro do leilão da dívida pública portuguesa "pouco menos que ruinosa".

13 comentários:

  1. Admito que a minha análise seja demasiado simplista e linear, mas não era precisamente o excesso de endividamento que estava na origem do problema de Portugal por conta dos elevados juros que poluíam o nosso défice secundário?
    Se eu devo dinheiro e não o posso pagar, não creio que me ocorresse pedir mais emprestado a um juro mais alto para pagar os juros mais baixos dos empréstimos anteriores.
    Acho que devo estar enganado, porque isto parece-me tão óbvio que certamente foi considerado por outros que saberão mais do que eu.

    (Não estou a ser irónico - juro. Se alguém me puder ajudar a entender eu agradeço)

    Tio Bouça

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  2. Claro Sr. Bouça, afinal todos os países estão errados. Afinal há uma maneira mais lógica de honrarmos os nossos compromissos, basta perguntar ao Sr. Bouça! Ah, há só um ligeiro problema que me ocorre: Se temos que pagar dívidas, necessitamos de dinheiro. Ora se ainda não há petróleo no beato, se calhar, mas mesmo só se calhar, temos que o pedir emprestado. Ou então, abrir falência. Sim, porque quando nos dói a cabeça, a forma mais rápida e fácil de acabar com ela é dar um tiro nos cornos!
    Brilhante, Sr. Bouça, brilhante!
    A

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  3. Então, por um lado todos os anos temos que emitir dívida para suprir os défices orçamentais. O Estado arrecada 100 mas gasta 105, logo tem que pedir 5 emprestado. Por outro lado, todos os anos vence dívida antiga, que temos que amortizar. Como é óbvio, também não temos dinheiro para isso, por isso emitimos nova dívida para pagar a anterior que se vai vencendo. E assim vamos acumulando dívidas, até chegarmos ao ponto em que estamos. Para além do capital emprestado há ainda os juros, claro. E se no passado os juros eram baixos, agora estão altíssimos para nós, por causa do aumento do risco. Ainda assim a taxa média deste stock monstruoso de dívida é relativamente baixa, talvez à volta dos 3%-4% (?). Ou seja, podemos aguentar algumas emissões próximas dos 7% mas não podemos fazê-lo por muito mais tempo, sob pena de a taxa média da dívida se tornar incomportável. Por isso, ou começa a baixar muito (altamente improvável) ou temos que pedir ajuda aos fundos de estabilização, que garantem taxas mais baixas de financiamento a troco de medidas draconianas.

    Como é que se paga isto no futuro? Temos que gerar superavit orçamental (arrecadar 100 e só gastar 90 para amortizar 10) ou então vender activos do estado. O problema é que a maioria das empresas já foram privatizadas (por lei, as receitas das privatizações só podem ser utilizadas para abater a dívida pública) pelo que não resta muito mais.

    Estamos fodidos.

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  4. É precisamente esta escalada de endividamento (novo e refinanciado) que assusta, aínda por cima a taxas de juro absolutamente proibitivas.

    O problema é que o déficit em Portugal não pára, pode abrandar o seu ritmo de crescimento, mas repete-se todos os anos, é acumulado e sucessivo. Há sempre mais e mais divida para pagar, é verdade (e o Estado não é o pior caso, o sector privado então é um abuso), como tal vai-se ao mercado cada vez mais para a pagar, mesmo sabendo que se está a onerar (a preços carissimos, cada vez mais) anos e gerações futuras, é sempre a empurrar com a barriga prá frente.

    O problema caro Bouça, é que a tua análise (bem como a do A, no outro extremo) é tão simples como verdadeira. A questão é simplesmente quando é que paramos de nos endividar, quando é que isto tem um fim? Quando é que o ciclo se quebra? Porque juro mais caro sobre juro mais barato é agravar a doença, de facto, mas paramos tudo e morremos?

    Eu tambem acho tudo tão óbvio que me choca, só há um segredo para inverter isto, tão simples como dificil de alcançar: Superávite e amortização de empréstimos para redução de capital e juros. É a única maneira. Gerir a despesa eliminando as gorduras, os boys, as entidades supérfluas, etc...e conseguir um nivel de Receita aceitável (vidé impostos), que não afaste o investimento, fiscalizar os milhões de euros de impostos que fogem anualmente (só isto quase que chegava, para não serem sempre os mesmos) etc...Assim dito parece fácil não? Pois não é, é dificilimo ao que parece.

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  5. Bem Xô Leite, acabei de publicar o meu comentário e reparei que já tinhas deixado o teu...Qualquer semelhança é mera coincidência, nada combinado, juro LOL

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  6. Bem, a verdade é que isto não tem grande segredo, o que parece rocket-science é passar da teoria à prática, em especial neste país.

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  7. O problema é que mais depressa nos dão um tiro nos cornos, do que, como dizes e bem, começam a: "Gerir a despesa eliminando as gorduras, os boys, as entidades supérfluas, etc...".
    Então não vês que estás a ir contra o Status Quo instalado há décadas (ou séculos)?
    Ó Thomas More, deixa-me ir viver para o teu "não-lugar", please!!!!

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  8. Sorry, esqueci-me de assinar o comentário anterior.
    Abraço
    A

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  9. Bom, obrigado a todos pela ajuda, mas a verdade é que ainda me parece tudo muito absurdo.
    Quer dizer: O que entendi é que se está a dizer assim: "Bom, Senhores portugueses, a gente não sabe bem como resolver isto da dívida, mas como se não nos endividarmos mais a coisa rebenta, então vamos piorar a situação mas sempre se respira mais um pouco. E entretanto pode ser que surja uma solução milagrosa para a situação que só vai piorando. Pode ser que de tão má ela acabe por se resolver...
    Caramba! Se não há guita não se gasta. E se tivermos de viver como pobres por... SERMOS pobres, então que seja. Reduzam-se mesmo as despesas e vamos todos sofrer já, em vez de condenarmos os nossos filhos.
    É que se isto não é uma solução sustentável e serve apenas como alternativa a assumir uma pobreza que nos é devida, então condena-nos a um futuro não de pobreza mas de miséria.
    E se não dá para resolver a coisa como ela está, então não será mais difícil resolvê-la no futuro ainda mais agravada?
    O que me parece é que foi inventada uma forma de vivermos todos às custas dos nossos filhos antes mesmo de eles terem idade para produzir o que quer que seja. E eles que se amanhem depois. É imoral! Tenhamos vergonha!
    Repito: Se não nos soubemos governar e empobrecemos, vivamos como pobres até que surja alguém competente o suficiente para resolver isto. Não o fazer é estimular a mediocridade e eternizar a incompetência.


    Mainada!

    Tio Bouça

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  10. Ou então continuar a empurrar com a barriga e o mesmo fazendo os nossos descendentes, até se descobrir petróleo no beato!
    Que tal?
    Abraço
    A

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  11. A Receita é esta, repito:

    "Gerir a despesa eliminando as gorduras, os boys, as entidades supérfluas, etc...e conseguir um nivel de Receita aceitável (vidé impostos), que não afaste o investimento, fiscalizar os milhões de euros de impostos que fogem anualmente (só isto quase que chegava, para não serem sempre os mesmos) etc..." O governante que o souber fazer de forma equilibrada e com a compreensão dos portugueses terá uma estátua e será lembrado para toda a eternidade.

    Nota: Só um detalhe, não se vislumbra tal personagem no panorama actual.

    Nota2: Essa coisa do petróleo não está nada mal vista, por isso deixo-vos a suprema ironia, que até pode ser uma nota de esperança. Quem sabe se de tanto escavarmos (de cada vez que pensamos estar no fundo do poço) não encontremos um dia, nas profundezas, a solução para todos os nossos problemas (petróleo, porque não?). Digam lá se não dá uma boa figura de estilo?

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  12. Como diria o grande Peter Gabriel:

    "I'm digging in the dirt
    Stay with me I need support"

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  13. O que nos vai safando é o turismo, que apesar de importar bifes e exportar tugas, é considerado nas contas como exportação. Aqui é que está o caminho: um país para turístas (atenção e não confundir com "para turista vêr"). É que o sol e as praias com que fomos bafejados ainda são grátis! E, para os mais modernaços, o turismo ecológico é uma aposta rentável (ainda para mais porque "eles" consideram rústico e "so peculiar!" aquilo que para nós está velho e irremediável).
    Abraço
    A

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