Finalmente, ao dia 7 do mês de Janeiro do ano de 2011, começo a tomar alguma consciência do mundo que me rodeia. Esta gripe que começou pela garganta, depois pelo nariz, que passa pelo corpo e dá um ar da sua graça com febre à noite para depois voltar à garganta e atacar com tosse impiedosa, parece afrouxar para dar uma oportunidade ao corpo e aos sentidos de se aperceberem que estamos mesmo em 2011, o tal ano de todos os medos e restrições financeiras e de que todos nós, portugueses, devemos ter consciência.
Eu, que como sabem vejo as coisas com grande antecedência, tudo temo e nada temo, é assim, assim sou. Por um lado prevejo o pior e por outro acho que nada pode ser assim tão mau, sou afinal uma espécie de rede, a aguardar prova da trapezista que falha o abraço do companheiro. É preciso que alguém caia para que a testemos. Não sendo muito amigo de cair sem mais nem menos, embarco com facilidade no salto simples com pirueta, embarco afinal no que aprendi a fazer com alguma segurança e não saio muito disso, sou um homem maduro.
É neste trapézio que eu me movimento e assim seria feliz a vida toda se não tivesse uma impressão estranha cada vez que assim tento viver, o salto que sempre fiz e aperfeiçoei deixa de repente de ter tanto significado, é preciso aumentá-lo, duplicá-lo, sou subitamente incompleto, e assim persisto, adicionando aqui e ali, fazendo um pouco mais, tentando mais um gesto ou movimento, à procura da acrobacia perfeita. Em 2011 quero um trapézio de confiança, o resto farei eu.

Se só vais ousar a manobra arriscada quando estiveres seguro do trapézio e da rede que te ampara, garanto-te que jamais sairás do chão...
ResponderEliminarTio Bouça
Não, não, entendeste mal, eu já saí do chão há muito tempo. Mas já agora não concordo, é óbvio que tem que haver confiança no equipamento, trapezista não é nem deve ser sinónimo de suicida. Não deve haver um único no mundo que não teste o seu equipamento e se houver, é porque é estúpido.
ResponderEliminarO meu perfil está explicado, não sou do tipo louco de meia-bola e força, não sou do estilo sem-rede (a propósito de trapézios), nunca fui nem quero ser, mas também não sou capaz de não tentar melhorar, de improvisar, de não tentar voar um pouco mais longe. As minhas acrobacias são melhores hoje do que quando subi lá para cima, são mais perfeitas, mais criativas. Espero que melhorem muito mais, tenho essa ambição.