8 de março de 2010

And now for something completely different!

Sento-me e vejo o Telejornal depois de um básico jantar de salsichas com espinafres (salvou-se a maravilhosa sopa, obrigado mãe). Teixeira dos Santos anuncia, com ar atrapalhado, ou melhor, aparvalhado, o famoso Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Em termos básicos percebo que, para controlar as contas públicas até 2013, isto é, para contrariar as tristemente destroçadas contas públicas até 2013, é necessário “apertar o cinto”, mais uma vez (embora desta feita, eu me tenha antecipado com uma dieta e já me habituei a apertá-lo, literalmente).

As brilhantes e inovadoras medidas para tal cruzada são pérolas como, do lado da despesa:

 Cortes no investimento público - Olha, afinal vão adiar o TGV como diziam todos menos eles?! Não eram estes os tipos de investimento defendidos por Sócrates para dinamizar o país à coisa de uns meses?;

 Congelamento dos salários da função pública - Esta é tirada da cartola, nunca se viu tal coisa, brilhante e inovadora, tudo isto durante 4 anitos…nada de grave para o pessoal do costume, os incompetentes…e passa num instante;

 Algumas das medidas anti-crise, como o alargamento do subsídio de desemprego e o subsídio de contratação de jovens, vão ser retiradas já em 2011, além disso, o Governo vai cortar em 0,5% os gastos com prestações sociais até 2013 e para a coisa se compor um pouco mais, reduzem-se os benefícios fiscais e deduções - Ora aí estão medidas nitidamente socialistas, porra, se o Salazar visse isto!

E last but not the least, do lado da receita:

 O Governo cria um novo escalão de IRS de 45% para quem tenha rendimentos anuais superiores a 150 mil euros – Uau, esta é catita e um excelente Marketing Politico (deve ter vindo do tipo que vendia t-shirts e era administrador da PT). Basicamente serve para inglês ver, uma vez que todos sabemos que há meia dúzia de tipos em Portugal (gozados pelos outros ricaços) que declaram tais valores. Quem ganha muita nota declara normalmente o salário mínimo ou não declara nada;

 Privatizações (vistas como a principal via para reduzir a dívida pública) – Alto, alto, alto, pára tudo! Esta sim…esta é genial e de uma inovação!?...só ao nível do congelamento dos salários da função pública. Vendem-se os anéis e pronto, ou já são os dedos? Brilhante, numa palavra.

Perante a genialidade e originalidade de tais medidas, perdoem-me a ignorância, ó brilhantes representantes por nós eleitos! Mas quem é que destroçou as contas públicas que agora precisam de ser equilibradas? O que é que fizeram ao dinheiro que todos nós (quase todos, tirando os ricos e os ciganos) vos concedemos para gerir ao vosso bel-prazer? Porque é que agora somos nós que pagamos as vossas incompetências? Mas quando é que, em duas décadas ou mais de governos que se dizem melhores que os outros, recebemos os benefícios deste sacrifício continuado? Mas caramba, nenhum de vocês aí em cima se sente responsável por alguma medidazita que tenha corrido mal? Ou vá lá, por algum errozito de gestão? Pronto, ou por alguma promessa que não tenham conseguido cumprir? Ou então, por alguns erros nas previsões que nos venderam de forma tão optimista? Mas que diabos, se fossem treinadores de futebol e depois de tantos falhanços finalmente assumidos não acham que já estavam todos despedidos?

Enfim, isto já vai longo, o aparvalhado Teixeira dos Santos já desapareceu (fugiu?) do Telejornal, os 365 comentadores políticos preparam-se para dissecar o PEC e eu acho que vou para a cama ler o Coetzee, sempre se encontrará alguma coisa diferente numa página ou outra…

Nota: O que vale é que conhecendo estes tipos como conheço, isto são só umas medidazinhas lá para os papalvos da Europa e as empresas de Rating se entreterem durante uns tempos até novas eleições. Nós aqui no burgo estamos cheios de Chico-espertos prontos para serem eleitos e não tarda, desatamos outra vez a gastar à parva …Durmam descansados.

3 comentários:

  1. Mas, como diz o nosso 1º Ministro, "Isso não é um aumento de impostos". Vamos ser sérios, como dizia outro grande estadista, se diminuem as deduções e benefícios fiscais, levando a generalidade das pessoas a receber menos reembolsos no IRS, isso não é um aumento de impostos. É outra coisa qualquer cujo termo não me ocorre agora, mas não pode ser um aumento de impostos...

    Emigrar?

    NL

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  2. Ó amigo, isto é aguentar e tentar rir para não chorar. É uma redução de impostos...a receber!

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  3. "Uma redução de impostos a receber" :-)

    Devias ir para a política!

    NL

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