Morreu hoje, aos 80 anos, o Senhor do Adeus. Ouvia falar dele, do senhor de idade que, trajando impecavelmente, fazia adeus aos condutores que passavam apressados. Depois vi-o várias vezes no Restelo, onde passou a residir. Apitei e acenei-lhe por diversas vezes, e sem sentimentalismos póstumos, senti sempre simpatia e conforto naquela troca de cumprimentos. Era "apenas" um estranho, que para espantar a solidão (como ele próprio assumia), acenava a estranhos que passavam, muitos também solitários. Ali no topo da Avenida da Torre-de-Belém, nunca parei o carro para conversar, mas se calhar teria sido interessante. Naquele breve segundo em que nos cumprimentávamos, pareceu-me sempre uma pessoa boa. Soube agora que tinha um blog e era cinéfilo, que tinha posses, e que se chamava João Manuel Serra.
À pergunta "Tudo isto é solidão?", respondeu "Essa senhora é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias de casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente". Adeus Sr. João, adeus, obrigado por tudo.
À pergunta "Tudo isto é solidão?", respondeu "Essa senhora é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias de casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente". Adeus Sr. João, adeus, obrigado por tudo.
Muito adeus dei eu ao (sei agora) João Manuel Serra. Inspirava muita simpatia, de facto. Fazia parte daquela paisagem, lamento que tenha desaparecido.
ResponderEliminarNL
É também com tristeza que leio esta notícia. O famoso João (foi preciso a morte para lhe conhecer um nome) foi "apresentado" pela primeira vez á Susy pelo nosso querido Zeca, quando uma vez lhe deu boleia até Algés.
ResponderEliminarDeixa saudades...
A
Não sabia disso A. Há algo muito simples e nobre no que este homem fazia. O mais incrivel é a popularidade "anónima" que ele tinha, o que mostra que todos reconhecemos a singularidade de um simples cumprimento entre estranhos. É o anonimato e a frieza urbana no seu oposto.
ResponderEliminarEsta frase dele mostra a pureza do seu sentir: "Tudo isto é solidão? Essa senhora é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias de casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente"
ResponderEliminarFizeram-lhe uma bonita homenagem no Saldanha e ainda bem:
http://www.publico.pt/Local/morreu-joao-serra-o-senhor-do-adeus_1465547
Foi criada uma petição pública para que a CML erga uma estátua em sua honra!
ResponderEliminarAqui está o link:
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=Lisboa
Já assinei a petição, acho-a justissima.
ResponderEliminarAmigo... para honrar devidamente o gesto voluntário do Sr. João deviamos ser todos nos a erguer a estatua com contributos individuais não esperando que ninguem faça por nós o que é da nossa responsabilidade. Foi assim que ele viveu e deu um bocadinho de si a toda a gente que por ele passava...de forma voluntária, gratuita e demonstrando que todos nós somos capazes de sermos melhores e que um sorriso afinal faz toda diferença.
ResponderEliminarD.A
D.A. escolhe o material que eu faço um esboço e dps logo se vê.
ResponderEliminarA alegria deste senhor do adeus contrasta com a tristeza da notícia. Este senhor prestava a bom serviço público sem trabalhar para o Estado. Alegrava sempre quem ai passava com um Adeus e, por vezes, com um sorriso. Ninguém lhe ficava indiferente. Ou riam, acenavam ou ficavam intrigados a saber quem seria o amigo dos avos.
ResponderEliminarRC