Para que conste, o poder de compra da função pública é hoje, inferior ao que detinha em 2001, isto é, esta classe, em termos médios, tem vivido resignada e consistentemente com deterioração salarial (já para não falar na nova Lei de vinculação, de carreiras e de remunerações, essa desconhecida de muitos e devidamente abafada golpada final). Já o super-produtivo sector privado, aquele dos bancos e das off-shore, dos Gonçalves, Rendeiros e Varas ou aquele das industrias de vestuário que levantam a tenda com meses de salários por pagar (deixando os trabalhadores à porta para salvaguarda do que resta), não sabe o que é perder poder de compra desde, pelo menos, 1996.
Eu já trabalhei muitos anos no sector privado e em diferentes sectores de actividade, agora estou na função pública. Da minha experiência posso afiançar-vos que vi de tudo, em todo o lado, funcionários competentes, incompetentes, exploradores e explorados, reconhecidos e injustiçados. Confirmo diariamente exemplos de superior organização na função pública quando comparada com o sector privado, em muitas áreas e amiúde, o contrário. Como no sector privado, há funcionários públicos de primeira e de segunda, e o que sobra para uns, escasseia para os outros.
Se querem insistir no cliché, na generalização e na caricatura, força. Mas ao menos tenham consciência que estes monstros, que só deixam de o ser quando o super-produtivo sector privado rebenta com a economia global e precisa de ajuda para se levantar ou quando há fome e se bate à porta da autarquia local; insisto, estas bestas, responsáveis por todas as incompetências, próprias e alheias, são pelo menos o garante, pelo menos há uma década, de que alguém aperta de facto o cinto quando o país precisa (e olhem que precisa quase sempre).
Nota: Quem se andar a rir da perda de poder de compra real na função pública, que é o que significa aumento zero, prepare-se, porque os patrões do competentíssimo sector privado, acabaram de ganhar a desculpa perfeita para o diminuto aumento que lhes vão conceder.
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