Agora é olhar para o que temos e aguentar as cacetadas que inevitavelmente chegarão. O mal estava feito, agora é tentar resolver. Eu já estou habituado a ser alvo preferencial por via da profissão (a que se soma a circunstância de ser meramente cidadão) mas não vejo como resolver a embrulhada sem os habituais sacrificios sobre sacrificios. O que eu queria era saber se por uma vez valerá a pena fazê-los, sentir que serviram para alguma coisa.
É triste ver chegar o país a isto e espero sinceramente que apareça alguém responsável na recentissima oposição. É uma oportunidade também para o PS. Cabe-lhes fazer os possiveis, criar mecanismos, procurar maneiras de impedir que individuos tão sem escrúpulos como este ex-primeiro-ministro, possam trepar pela estrutura do partido com tanta facilidade. São precisos, mais do que nunca, politicos responsáveis e sérios, a antitese portanto do pseudo-engenheiro que se demitiu ontem para, nas suas palavras, gozar "os dias felizes que tenho à minha frente". Pois...

Olha, desta vez tb fui votar, mas quem eu escolhi tb saiu derrotado. Agora vais levar com um governo de direita (e bem de direita) que é para veres a diferença... espera pela paulada, que ela já não tarda!
ResponderEliminarAbraço
A
Caro A, estás sempre a tempo de agradecer ao 1.º ministro que te governou nos últimos 6 anos, aliás, não és só tu, toda a esquerda lhe pode agradecer por esta derrota histórica. É que sem um gajo como Sócrates, era de facto difícil um país tradicionalmente de esquerda dar a maioria a uma direita encabeçada por Passos e Portas...enfim, é mais um grande feito do engenheiro, o seu último (esperemos)...
ResponderEliminarQuanto à paulada que já não tarda concordo mas é uma mera repetição da frase inicial: "Agora é olhar para o que temos e aguentar as cacetadas que inevitavelmente chegarão". Tiveste alguma dúvida de interpretação, estás a reforçar a ideia ou estavas convencido que aparecia agora um governo de extra-terrestres para resolver a falência de um país inteiro sem valentes sacrifícios?
Não sendo eu um liberal purista, faço minhas (e acredito nelas) as palavras da Margaret Thatcher: "O Socialismo só dura enquanto durar o dinheiro dos outros".
ResponderEliminarÉ impressionante como houve tempos em que os políticos tinham realmente ideias relevantes e que suscitavam a reflexão, quer se concordasse quer não.
É o povo quem promove e aprova o socialismo em tempos de fartura, e é o povo quem se volta para o liberalismo quando o cinto aperta à procura de um novo Dom Sebastião.
A paulada já foi dada! Agora é ver o tamanho do estrago e esperar que atrás venha quem não a dê ainda maior!
E acima de tudo esperar que o povo aprenda a fazer melhores juízos dos políticos a montante, e não apenas após a paulada!
Tio Bouça
Caro A
ResponderEliminarEntretanto saúdo a tua participação democrática, ainda faltarão muitos, mas quem sabe este direito constitucional tão fundamental se vá alargando aos poucos com o exemplo de cada um de nós.
Acrescento ainda ao que disseste: Vamos TODOS levar com quem foi eleito, vamos TODOS ver a diferença, para o bem ou para o mal, não foi assim sempre? A vontade democrática falou, e não foi por recentemente nos escolher alguém que nos levou à bancarrota que não tivemos todos que viver com ela, eu nomeadamente que sempre fui da opinião que a sua renomeação nos traria até à desgraça actual. Aqui não estão partidos em causa (tu até saberás qual a minha orientação politica o que reforça o argumento), aqui estava uma pessoa em quem eu não confiava e cujas acções confirmaram o meu sentimento. Opinei abertamente sobre isso, nunca gostei de vigaristas a fazerem de mim parvo e disse-o sempre. Passados 2 anos veio o FMI, que surpresa (!?!) É a democracia, para já não vejo melhor sistema, agora pagaremos ainda mais, todos...o povo encheu até não poder, e em minha opinião votou contra Sócrates, antes de tudo o resto, podia tê-lo feito antes mas fê-lo agora (talvez tarde demais, mas ainda assim fê-lo finalmente). Só lamento que o que para mim e uma minoria era óbvio, só mais tarde, o tenha sido para a maioria, quando os PEC's, impostos, reduções de salários e benefícios e a insolvência soberana lhes entraram pelos olhos a dentro.
Agora resta ter esperança que ainda se possa emendar e perceber que teremos oportunidade de escolha novamente. Como disse, é uma oportunidade para os partidos que agora perderam se reestruturarem. No caso do PS, de se assegurarem que um artista destes não apareça tão cedo (embora me cheire que este é daqueles que gostou do poleiro e vai voltar, embora para outra posição, mas isso fica para outra história que esta já vai longa).
Caro Bouça,
Eu tb me considero longe do liberalismo puro mas acredito que a competitividade deste país passará inevitavelmente por algum (mais) liberalismo. De resto subscrevo inteiramente a ideia de que temos que "esperar que o povo aprenda a fazer melhores juízos dos políticos a montante, e não apenas após a paulada!"
FIL
Caro Bouça e Fil,
ResponderEliminarSim, a esperança está no liberalismo e quanto mais puro e duro melhor. Veja-se o belo exemplo que nos chega dos States, com uma dívida soberana de bradar aos céus e chegando agora à conclusão que, se calhar, um bocadinho de socialismo (por exemplo na saúde) é sinónimo de alguma justiça social.
Cá para mim, liberalismo rima com uma palavra feia, começada por F e praticada não há tantos anos como isso cá pelo burgo.
A
Ainda em relação à questão liberal, acho que o grande desafio futuro do Estado será inevitavelmente supervisionar determinados sectores (retirando-se do papel de decisor executivo), tornando-se sobretudo no garante da concorrência sã entre os intervenientes e no beneficio equitativo do consumidor/utente. Por outro lado, terá de encontrar maneira de o fazer de forma eficiente, pouco burocrárica e ágil, terá de ter o poder para castigar quem não cumpre de forma peremptória.
ResponderEliminarEm minha opinião, algures neste rácio, estará o papel do Estado como motor de crescimento económico futuro. Acho até que o modelo económico da União Europeia foi muito pensado nesta base e talvez por aí se explique o nosso desfazamento em relação à média de crescimento europeu. Mas posso estar enganado.
Nota: O meu dignissimo A tem que ter cuidado quando parece querer atribuir aos outros extremismos nunca pensados ou por eles declarados. No meu caso, perante a frase "Eu tb me considero longe do liberalismo puro mas acredito que a competitividade deste país passará inevitavelmente por algum (mais) liberalismo.", não entendo como se pode contrapor "Sim, a esperança está no liberalismo e quanto mais puro e duro melhor". Isso sim, já me parece extremismo ou demagogia no discurso, no minimo. Algures no meio estará a razão, e também a ti te convirá radicalizar menos, penso eu...
Quem escreveu acima fui eu (fdp do blogger anda marado)
ResponderEliminarFIL
Sim, Fil, um "garante da concorrência sã entre os intevenientes e no beneficio equitativo do consumidor/utente". Aliás isto está bem à vista no preço do fuel (em nada concertado pelo cartel), no preço da electricidade (a percentagem da subida dos preços após a privatização/liberalização dos preços está bem à vista), no preço do gás, etc; etc; etc; Sim, sim, deixemos o mercado funcionar... parece que podem é surgir pequeníssimos problemas: lobbys, clientelismos, jobs for the boys, essas coisas...
ResponderEliminarA
O preço do fuel... o preço da electricidade... lobbys... clientelismos... jobs for the boys...
ResponderEliminarTodas essas maleitas são por todos nós condenadas, certamente concordarão. Onde discordaremos é da ideia demasiado fácil e simplista de que são maleitas que surgem exclusivamente no contexto de governos de direita. Não me querendo alongar em exemplos de governos de esquerda que dão cartas nessa matéria a qualquer um de direita que me queiras apontar, lembro-te apenas que vivo num.
Aliás ao ler-te parece-me que acabaste de descrever bem o governo cessante de esquerda, socialista, que nos governou durante os últimos 6 anos.
Não precisamos do liberalismo para nos trazer esses males porque eles foram já bem cultivados no nosso país pelos socialistas, muito obrigado.
Do que precisamos é de governos competentes e independentes, entre outras coisas, do poder económico. Sejam eles de esquerda ou de direita. Há bons governos socialistas e há bons governos de direita.
Opiniões cada um tem a sua. A minha é a de que de facto o liberalismo traduz melhor a natureza humana e suscita o melhor de cada um de nós mas que se for levado ao extremo tem efeitos negativos que podem tender à tal palavra feia de que falaste, uma vez que leva à concentração do poder em poucos por via do controle económico da sociedade. Endosso por isso a ideia do papel fiscalizador do Estado, sim, o que difere da ideia pura de socialismo. Tendemos assim (quase) todos a ser esquerdistas tendendo para direita ou direitistas tendendo para a esquerda. É a era da moderação. Não me parece mal.
Não me parece que se perspective nenhum reinado do liberalismo, muito menos agora que vivemos no mundo uma crise que surgiu em parte da ausência de fiscalização por parte dos Estados, donde esta conversa me parece algo anacrónica.
Tio Bouça
O que para aí vai: O cartel do fuel é precisamente fomentado pela única refinadora e distribuidora em Portugal, a Galp...e sim, adivinhaste, do Estado...Porque não perguntas à CGD quantos empréstimos fez às PME's para as ajudar? Ou o dinheiro foi todo para financiar empréstimos para aquisição de acções no BCP? Porque não perguntas porque financias tu a RTP (com dupla tributação ainda por cima) quando o serviço público é o que se vê? Sabe-te bem? Há casos e casos obviamente, tens é que os analisar com racionalidade e não nessa perspectiva de esquerda radical contra a direita que come meninos ao pequeno-almoço...
ResponderEliminarDesde quando é que o facto de um sector ser estatal ou privado impede lobbys, clientelismos, jobs for the boys, etc...aliás, parece que estás a definir precisamente os actuais problemas do Estado das Golden-shares (ou controlos encapotados de supostos sectores liberalizados já julgados e condenados pela União Europeia) e dos lugares partidários nas grandes empresas. O problema é que mto dos sectores a que chamas liberalizados não o são na realidade (ver veto da compra da PT, só por exp)...
Aqui ninguem defendeu radicalismos, apenas se procura raciocinar perante o cenário actual e eleito pelo povo, o mesmo que pôs lá o merdas que nos encavou a todos (coisa de que alguns parecem gostar) e nos deixou nesta situação. Agradece ao Sócrates, o dos PEC's, o das privatizações, sim (até parece exclusivo destes), impostos, redução de salários e finalmente falência e pedido de ajuda externa, agradece-lhe agora e chupa a pastilha que ele te deixou. Eu, independentemente do que opinei antes e agora, também não tenho outro remédio senão aguentar o que aí vem...
FIL
Tio Bouça, adiantaste-te à minha resposta ao A...qualquer semelhança é mera coincidência ;)
ResponderEliminarTá cá com um feitio, parecem ainda efeitos da intoxicação socrática LOL...
FIL
Olha, como diria o Neil Young "...I've seen the needle and the damage done, a little part of it in everyone..." Everyone, pois é...
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