Esta noticia do Diário Económico, refere-se a dados divulgados pelo relatório anual da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) sobre o Governo das Sociedades Cotadas em Portugal. Ao que consta, "cerca de 20 administradores acumulavam funções em 30 ou mais empresas distintas, ocupando, em conjunto, mais de mil lugares de administração, entre eles os das sociedades cotadas", sendo que "o caso mais extremo refere-se a um administrador que pertencia aos órgãos de administração de 62 empresas". Adianta-se ainda que "por cada um destes lugares recebiam, em média, 297 mil euros por ano, ou, no caso de serem administradores executivos, 513 mil euros...".
Portanto, estamos perante verdadeiros super-homens que não devem dormir uma horinha por dia que seja, com competências tão únicas como extraordinárias, e que acumulam para além disso, a até então exclusivamente divina, capacidade da omnipresença. Se porventura não for esse o caso, talvez estejamos perante uma amostra do que faz com que vivamos num país pouco produtivo, endividado até ao tutano, incapaz de proporcionar oportunidades de liderança a profissionais capazes (valorizados depois no estrangeiro), e que se dá ao luxo de distribuir a escassa riqueza por meia-dúzia de privilegiados que são mais influentes que o Presidente da República e o Primeiro-Ministro na hora de decidir entre interesses pessoais e interesses nacionais. Estes senhores, sentam-se à mesa a comer caviar e a beber champanhe francês enquanto gerem mais de 30 empresas ao mesmo tempo. Por vezes, lá deixam que um governante se sente com eles e prove um folhadinho de perdiz, mas todos sabemos que não há refeições grátis, ou há?
Nota: Dei-me ao trabalho de olhar para o Relatório directamente, expurgando interpretações jornalisticas e recomendo-vos, nem que seja o Sumário Inicial. Aqui, destaco esta frase extremamente politica mas significativa relativamente à acumulação de cargos de administração em várias sociedades por parte da mesma pessoa: "A acumulação de funções patente nestes números poderá ser um motivo de reflexão para os accionistas destas empresas." Rest my case...

Escusado será dizer que se tratam das maiores empresas do país. É óbvio que não são referidos nomes nem tinham que o fazer, mas gostaria de saber qual a dispersão de uma mesma pessoa pelos órgãos de administração de diferentes áreas de negócio (eventualmente conflituosas), ou mesmo por várias empresas dentro da mesma área de negócio (concorrentes). Talvez ajudasse a perceber como certas decisões são tomadas e porque se fala, por exemplo, em cartelização, monopólios encapotados e afins.
ResponderEliminarCaramba, eu sei que isto parece coisa de esquerda radical, os capitalistas e tal, mas esta concentração desmedida nas mesmas pessoas não contraria todas as best practices de mercado livre e concorrencial?
Wellcome to the jungle !!!
ResponderEliminarA minha empresa tem uns quantos inseridos nessa categoria. Queres trocar alguns cromos?
( é claro que a teta da vaquinha já está de tal modo mirrada que também troco o prémio de produtividade e aumento salarial que não vou ter )
MT
Já não teres tido um corte no ordenado já não é mau... prémio de produtividade?!?!?!? aumento salarial?!?!?!?! como diz o outro: "vistesiu?"
ResponderEliminaribd
Qual esquerda radical, qual quê. É mas é o tal do capitalismo desenfreado que, ao abdicar de todo e qualquer pudor ético, se transforma em pirataria. E claro que estes corsários dos tempos modernos não dispensam o papagaio ao ombro (leia-se o politico de pacotilha, o pato bravo amansado não pelo rum, mas sim pelos dobrões de ouro que vai surripiando da mesa de jantar do galeão).
ResponderEliminarUnder Jolly Roger, é como nós estamos.
Abraço
A
Caramba, e eu ando em Auditorias de Qualidade feito cão em nome da melhoria dos processos e do serviço ao cliente/munícipe/utente e mais o resto que se mexa naquele Concelho...Eu não me queixo porque é trabalho meritório, mas um gajo desdobra-se mesmo em tarefas tentando ganhar o que para aqueles administradores equivale a um almoço no Gambrinus...A ISO 9001 devia ter alguma norma sobre isto, não me lembro de ver tal coisa mas...
ResponderEliminarNota: Jolly Roger?
Também temos umas bandeiras ISO qualquer treta para troca. Laranjas verdes e ...
ResponderEliminar( nunca vi os certificadores. Devem ser de uma espécie agrafada à secretária tal como a certificação)
MT
Pois eu já vi os certificadores/agrafadores. Vi-os com os meus próprios olhos e acompanhei-os inclusive, embora por pouco tempo. Eles são reais, eles existem. São uma espécie nómada, pouco dada à convivência, e que aparece uma vez por ano. Habitualmente, cobram a sua presença em meios monetários e deixam o que eles chamam de certificação, uma lembrança de que para o ano regressarão...Medo!
ResponderEliminarNota: Julgo que normalmente batem à porta das 30 ou mais empresas que são geridas por cada um dos administradores referidos no post. É claro que estes últimos, olham para o tal certificado como uma maneira pouco trabalhosa (para eles claro, porque há gente como eu que vai ter que arrepiar caminho) de obterem uma bandeira que lhes confere credibilidade.
Caro Fil,
ResponderEliminarJolly Roger: um dos vários nomes por que é conhecida a bandeira dos piratas (aquela da caveira sorridente com os ossos).
Nota: É, também, o título de uma música dos Running Wild (isto é que era som, bons tempos!).
Abraço
A
Got it :)
ResponderEliminarCertificadores\agrafadores.
ResponderEliminarTu viste-os???!!!
Que sorte a tua.