18 de maio de 2011

Ter ou não ter...

Partilho a minha noção de perda. Perder é não ter outra oportunidade, é o conceito do presente e futuro terminado, é a noção do que jamais será igual.

Ponto assente perante a perda: Ou morremos ou sobrevivemos. E sobrevivemos, normalmente. Tornamo-nos insensíveis até onde podemos, tornamo-nos um esgar perante a recordação, habituamo-nos a esconder a falta, perante nós e os outros, habituamo-nos a fingir que nada se passa ou passou, interiorizamos. Eu estou feito numa rocha, quase…

No processo as outras pessoas habituam-se, adaptam-se, primeiro porque acham que estamos melhor, depois porque ninguém no seu juízo perfeito quer lembrar um assunto que nos devasta. Assim estamos perante um dilema, não referimos o assunto para que não nos magoe, nem tocamos no assunto para que ninguém se melindre. Não falar satisfaz normalmente toda a gente. Mas a mim incomoda-me, não resolve…

A perda é o processo mais solitário que conheci, o mais incompreendido e intransmissível. Nunca me preparei para isso nem nunca o resolvi realmente. Não é tema grato, apenas vivo com isso, instintivamente, não consultei ninguém nem tomei nada que me acalmasse, não conheço médico que me ajude, apenas lido com isso.

Se tivesse uma oportunidade não fazia tudo de novo, mas fazia a mala, estava naquela praia e fazia-te subir as escadas para beber uma imperial e comer umas amêijoas, ficávamos ali, a rir, e ali continuávamos, na imortal inocência. Estou quase insensível, mas ainda te ouço a rir, todos os dias, estivesses aqui e eu dizia-te mano…Ainda te tenho bem perto...

1 comentário:

  1. Meu caro mano, estes são os posts que eu sei que raramente recebem comentários, não é por mal, as pessoas ficam simplesmente bloqueadas...é, como disse, "o processo mais solitário que conheci, o mais incompreendido e intransmissível". Mas tu sabes e eu sei o quanto de bom te rodeia, e quanta gente se sente perto de ti. Continua nas nossas vidas, um abraço e até já. Estamos sempre juntos.

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