Descobri na Wikipédia que a expressão “amigo da onça”, muito generalizada entre nós, é importada do Brasil e vem afinal de uma personagem criada pelo cartoonista pernambucano Péricles de Andrade Maranhão, em 1943. Os directores da revista “O Cruzeiro” queriam criar uma personagem fixa e já tinham até o nome, adaptado de uma famosa anedota em que dois caçadores conversavam no seu acampamento:
“O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente? Ora, dava um tiro nela. Mas e se você não tivesse nenhuma arma de fogo? Bom, então eu matava ela com meu facão. E se você estivesse sem o facão? Apanhava um pedaço de pau. E se não tivesse nenhum pedaço de pau? Subiria na árvore mais próxima! E se não tivesse nenhuma árvore? Sairia correndo. E se você estivesse paralisado pelo medo? Então, o outro, já irritado, retruca: Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?”Sócrates parece aquelas personagens das fábulas que quando confrontadas com a onça, lhe explicam em surdina o quanto o amigo é mais tenrinho, anafado e saboroso, enquanto a este, lhe vai dando palmadinhas nas costas, elogiando a sua bravura, e jurando a pés juntos a sua fidelidade, que sim, que ali estará logo atrás para o que der e vier. Escusado será dizer como acabam estas histórias…
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