Passado o dia de ontem como barreira psicológica para um sentimento que não se compadece com datas nem horas certas (como tu e eu sabemos mano), e passando os olhos pelos telejornais, não pude deixar de reparar (porque eles não deixam mesmo outra hipótese) na terrível sucessão de fatalidades que têm acontecido nas mais diversas situações. Desde a palmeira que cai em Porto Santo e o ex-policia que sequestra um autocarro de turistas nas Filipinas, até à habitual e mortal relação entre portugueses e automóveis, com um acidente na Zona de Salamanca (4 mortos) e o gigantesco duplo acidente na A25 (mais de 50 veículos, 6 mortos, para já, e 72 feridos).
Ora, estava eu hoje de manhã a acabar de ouvir a actualização da noticia da A25 no rádio do carro, em pleno IC19, quando, do outro lado da estrada, em sentido contrário, me deparo com um jipe virado ao contrário, com as rodas ainda a girar e com um homem a tentar sair pela janela lateral do carro, uma imagem que até para mim, que faço este percurso quase diariamente e já vi muita coisa, foi assustadora. Desta feita, o piso estava bem seco e o sol brilhava pelo que, o excesso de velocidade ou 1001 outras coisas poderão ter ocorrido para provocar tão aparatoso acidente. Abrandei de imediato e pensei em menos de um segundo em encostar à berma para tentar ajudar o homem mas, continuei devagar pensando, talvez inconscientemente nesses breves segundos, depois conscientemente, que percorrer 4 faixas desde a esquerda até à berma naquela situação poderia ser muito perigoso, isto além dos abalroamentos que normalmente ocorrem na faixa contrária a um acidente. Segui a pensar naquela imagem e até abrandei um pouco o ritmo, normalmente acelerado, que me impele repetidamente a caminho e à vinda do emprego. Senti vontade de ajudar o homem mas para além dos perigos acima descritos, reparei que muita gente tinha entretanto parado atrás dele e que pelo menos mexia-se, tentando sair. Calculo e espero que só faça parte da estatística dos acidentes e se escape à outra, mais trágica.
Isto para dizer por fim que, talvez por força da tal barreira psicológica, eu ainda esteja a remoer em todas estas coisas e na inevitável fragilidade humana. Um tipo vem na sua rotina ensonada para o emprego a ouvir as noticias e, pimba, quando dá por ele está de cabeça para baixo a tentar sair pela janela do carro, uma senhora idosa senta-se à beira de uma palmeira (se calhar da sua idade ou mesmo centenária) para ver um comício que pouco lhe interessará, senta-se ali a olhar para aquilo e a apreciar a animação e as pessoas e zás...perceberam a ideia?
Pois, já o Professor Keating (Robin Williams) dizia aos seus estudantes "seize the day boys, make your lives extraordinary"...Carpe Diem!
Anda mas é devagarinho que fazes cá muita falta!
ResponderEliminarAbraço
A
Ou se quiseres andar depressa pelo menos troca os pneus!
ResponderEliminarNL
LOL Epá caramba, nada de preocupações, eu não ando assim tão depressa, ainda não tenho um Porsche!
ResponderEliminarNota: os pneus têm que ser mudados, é verdade ó Sô Mecânico...