"O ministro alemão da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, anunciou a sua demissão na sequência do escândalo de plágio da sua tese."
"A saída de Guttenberg foi forçada pela divulgação de passagens da sua tese de doutoramento que tinham sido copiadas de várias fontes sem serem citadas, o que valeu ao ministro o epíteto de Barão do copy-paste." in Público
O quê, demitiu-se só por isso? Ó Sócrates, tu já viste isto? Este gajo ao pé de ti é um anjo na terra, aliás, devia ser canonizado imediatamente...
Claro! Todos sabem que os Guttenbergs sempre foram especialistas na mera impressão de conteúdos e não na sua criação. Ele apenas foi fiel à sua natureza...
ResponderEliminarTio Bouça
E os Sócrates, tiravam cursos aos Domingos?
ResponderEliminarAcho que na Grécia antiga era costume... ao Domingo era a vê-los a fazer fila à frente dos aparelhos de fax! :)
ResponderEliminaribd
Vejam que este senhor Guttenberg, era um delfim da Liebe Chanceler Merkel e já se falava na sua ascenção ao mesmo cargo, num futuro relativamente próximo. Mais, esta demissão, deve-se muito às pressões da classe académica alemã.
ResponderEliminarEstão a ver a classe académica portuguesa a preocupar-se com o curso do Socrates ou da pós-graduação de Armando Vara? Ouviram algum indicio de indignação? Uma voz que fosse? Pois, isto é um país de brandos costumes, é preciso não esquecer.
Se calhar porque temos mais com que nos preocupar do que com quem tem curso do quê, e a que dia foi tirado (reparem na subtileza com que utilizo o verbo na primeira pessoa do plural, de forma a incluir-me na classe académica portuguesa).
ResponderEliminarAbraço
A
O problema é que quem nos dá muito mais com que nos preocupar, são precisamente os que têm o curso de sabe-se lá o quê, tirados no dia de sabe-se lá quando.
ResponderEliminarTalvez se tivessem a preocupação de fazer uma coisa honesta na vida e como os comuns dos mortais, não fossem os vigaristas que sempre foram com o sistema a premiá-los.
Não sei se neste nível se pode falar de crimes grandes e pequenos. Para mim é tudo igual.
ResponderEliminarO indício de que se cometeu uma falta "menor" abre a clara indicação de que a mesma falta de princípios os poderá conduzir a faltas maiores. É tudo uma questão de oportunidade.
Quando se tem o poder de um governante, isto torna-se muito grave porque existe o poder e a oportunidade de cometer as maiores faltas, e é por isso que defendo que haja (a começar por nós, cidadãos) uma total intransigência quanto à falta de ética e de princípios.
Na Transilvânia antiga, existia um governante, Vlad Tepes, mais tarde romantizado na ficção como Conde Drácula, que tendo herdado um reino caótico onde a desordem e o crime grassavam reverteu esse cenário criando o princípio do "crime único - pena única". Qualquer crime, desde o roubo de uma peça de fruta até o regicídio, eram todos eles punidos da mesma forma sob a alegação de que o princípio do respeito à ordem havia sido em todos violado: Com o empalamento em praça pública, para que funcionasse como exemplo dissuasor.
E funcionou! De forma tirânica e desumana, mas funcionou.
Não subscrevo a adopção nem do princípio aplicado à lei civil e muito menos subscrevo a punição (apesar de que às vezes...) mas subscrevo sim o princípio de que quando falamos de políticos todos os crimes devem ser punidos com a exclusão da vida pública.
Mentiu quanto ao curso? Fora da vida pública.
Fugiu aos impostos? Fora da vida pública.
Abusou dos bens públicos? Fora da vida pública.
Cometeu perjúrio? Fora da vida pública.
Trabalhou em outros empregos quando desempenhava funções que o impediam disso? Fora da vida pública.
E para sempre, que não creio a índole se mude com as punições.
Tio Bouça
Obrigado pela lição de Vladan e da noção de punição única, que eu não partilho. Por outro lado também acredito que a impunidade é o pior dos males. É esse o problema neste país, não o grau da ofensa.
ResponderEliminarDe nada! Sempre disponível.
ResponderEliminarSó que não se trata de punição única mas de punição mínima.
Estás confortável que um governante culpado de um qualquer daqueles crimes permaneça na vida pública?
Eh pá, tu é que sabes, mas eu cá não estou. Não me parece que partilhe dessa complacência.
Mas é claro que o problema não é o grau da ofensa, oras. Mas esse é precisamente o meu ponto. A ofensa em si é inaceitável quando se trata de quem deve definir o próprio conceito de ofensa nas leis que nos regem, sob pena de as desmoralizar por completo.
Quando tens um culpado de um "pequeno" crime público estás certamente perante um culpado ou potencialmente culpado de um crime maior, pois não acredito que haja éticos de grau 3 e éticos de grau 1. Há gente com princípios e gente sem eles. Mantê-los com o poder é pedir para apanhar. É passar a mensagem de que o crime compensa. É convidá-los a esticar um bocadinho mais a corda (que é o que têm vindo a fazer)
Mas passa pela cabeça de alguém que um gajo com responsabilidades políticas que conscientemente cometa um pequeno delito permaneça com a responsabilidade de governar-nos a todos? Que diabo!
E antes que te atires a mim acusando-me de fascismo e de juiz arbitrário, digo-te que não pretendo culpar os governantes apanhados em pequenos crimes por eventuais grandes crimes que não se conhecem ou que não estão provados. Mas creio sim que quando está em causa alguém que foi eleito para zelar pelo bem público, o grau de exigência em termos de conduta é muitíssimo mais elevado, donde defendo a pena da exclusão da vida pública nesse contexto, mesmo para as pequenas faltas desde que denotem ausência de princípios.
A tolerância face a estas questões é, no meu ver, perigosa demais.
Eh pá, mas tu votas em quem quiseres. Até nos "pequenos" criminosos.
Só que depois não te queixes...
Tio Bouça
Tio Bouça, que tremenda retórica que aqui vai, pior, que tremenda confusão que tu fazes com o que tu achas que eu penso. Espanta-me essa tua tendência para a psicanálise, em especial aplicada aos outros. Da minha experência, acho que quem tem dotes para tal deveria começar por si próprio e só os usar em quem lhos reconheça e solicite, sob pena de estar a fazer perguntas e a dar respostas pelos outros, sem que assim aprenda nada sobre o que pretende conhecer. Vejamos: Perguntas e dás a entender a resposta, não a tua, mas a minha, e assim andas no teu próprio circulo de ignorância em relação ao que penso. Eu ajudo então:
ResponderEliminarAntes de mais, posso-te garantir que não aparentas grandes dotes uma vez que a minha opinião é clarissima no post e é obvio que acho que um politico tem enorme responsabilidade e que deveria ser excluído da vida pública quando incorre em imoralidades ou crimes de qualquer espécie, aliás, deveria ter a hombridade de o fazer por si. Penso que isso é evidente no post e é essa a ironia mas se tu não chegaste lá...
Já a tua predisposição para me pores a votar em pequenos criminosos demonstra ainda maior desconhecimento e falta de capacidade de análise, desta feita à minha personalidade, logo eu que não admito nenhum pequeno crime a ninguem, muito menos a um politico, que considero pessoa de dupla responsabilidade. Isso é para os que votam Isaltino porque fez coisas boas pelo Concelho, não é a minha praia.
Como vês, salvei-te da confusão total sobre a minha opinião e personalidade, o que não é nada dificil uma vez que está e estava à vista de toda a gente. Escusas de agradecer. Já daí a empalar um politico como pena minima, ou única (na tua expressão original), porque roubou fruta ou matou o Duque de Bragança, epá, deixo para teu delirio pessoal e do Conde Drácula, eventualmente. Assusta-me um pouco essa ideia que mais vale matá-lo agora que roubou a maçã, porque amanhã não se sabe, mas... Repito, em termos conceptuais e foi nesses termos que falei, não partilho dessa noção de pena única ou minima para delitos de diferentes graus, aliás, nem eu, nem os juizes, nem os legisladores, nem ninguem de um Estado democrático e civilizado. A impunidade é que não pode existir. Agora tu, lá saberás. Eu, da minha parte, não pretendo perguntar e responder por ti nem colocar-te uma opinião que não tenhas.
É claro que haveria uma maneira mais fácil de responder a "Estás confortável que um governante culpado de um qualquer daqueles crimes permaneça na vida pública?" e "Eh pá, mas tu votas em quem quiseres. Até nos "pequenos" criminosos.
ResponderEliminarSó que depois não te queixes...":
Tu não leste/entendeste o post ou não me conheces minimamente, o que seria ainda mais estranho.
Tu estás cá uma gaja...
ResponderEliminarConfusa, mas gaja!
Tio Bouça
Confesso que estou desiludido com a tua fraca argumentação meu caro, passar dos teus comentários anteriores para este último é, em bom português, "assobiar para o lado" ou mesmo "virar o bico ao prego". Começo a perceber que a ironia implícita no post te passou mesmo ao lado e isso sim, é próprio de gaja, já que todos sabemos da dificuldade das excelentíssimas senhoras em entender o estilo imortalizado por Gil Vicente. Já agora, "Confusa" e "gaja" na mesma frase é uma redundância, não existe "mas"...Tu sabes isso...não?...mmmm, agora começo mesmo a estranhar-te!
ResponderEliminarDescobri agora mesmo a mensagem que transmiti no post, mas pelas (excelentes) palavras de Ana de Amsterdam, aqui (http://ana-de-amsterdam.blogspot.com/):
ResponderEliminar"Honra
Na Alemanha, karl-Theodor zu Guttenberg – o jovem ministro da Defesa, dado como provável sucessor de Ângela Merkel por ser um político talentoso - demitiu-se. Foi acusado de plagiar uma tese de doutoramento. É um comportamento censurável, mas poucochinho. Vivemos numa época em que a informação circula veloz; é de toda a gente e não é de ninguém. Toda a gente plagia.
Em França, a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Michèle Alliot-Marie, também apresentou a sua carta de demissão. Cometeu o crime hediondo de ter estado de férias na Tunísia durante os protestos populares. Consta, por outro lado, que a sua família (os pais, não ela) tem negócios com governantes magrebinos. Mais uma vez, é um comportamento censurável, mas pouco.
Em Portugal, o primeiro-ministro, ao longo desta penosa travessia que tem sido o seu último governo, foi acusado de coisas bem piores – burla, caciquismo puro e duro, clientelismo, falsidade - e nada se passou. É que, em Portugal, ao contrário do que sucede nos países do norte da Europa, não existe responsabilidade política. Os cidadãos não se importam de viver numa democracia meramente formal. Existe, isso sim, para conveniência de quem a invoca, uma coisa que se chama responsabilidade criminal. Em Portugal, os políticos podem prevaricar, podem passar à frente dos velhinhos nos centros de saúde, podem ser desonestos, amorais, podem ser totalmente inaptos para desempenhar os cargos para os quais foram eleitos, podem prescindir com descaramento da ética pública, podem ser, no fundo, uns autênticos filhos da puta, porque sabem que, no final, a justiça cumprirá o seu papel e, sob o manto respeitável do despacho de arquivamento, apagará desonras, limpando chagas e feridas."