Hoje, se quiserem ir ver tais tesouros com os vossos próprios olhos só vos custará uns euros valentes e umas horas, o tempo de uma refeição ligeira a bordo e um perfume tax free. Quando derem por ela já estão com calor, tudo parece exótico e acabaram de comprar um maço de cigarros barato no berço de uma das maiores e mais orgulhosas civilizações que o mundo conheceu. Os faraós serão os primeiros a cobrar a visita em euros e os hotéis serão tão ligeiramente locais de aspecto como europeus em comodidade e preço. Fácil, não?
Nem por isso, isto porque precisamente hoje não há avião que vos leve, e ainda que houvesse, nunca foi a mesma coisa fazer turismo e conhecer o destino, certo?
Admitamos, há uma grande fronteira a separar o ver e o sentir, alternamos uma batata-frita com uma perna de frango enquanto olhamos para um tipo a ser espancado numa praça egipcia. Não é culpa nossa, ou será? É a vulgarização da violência, entra-nos em casa em doses industriais e ficamos distantes, anestesiados, não é connosco.
Disto isto, sem qualquer juizo, intenção moral ou politica e acreditando apenas nas mil palavras que dizem conter uma imagem, deixo a pergunta aos que lá estiveram, pensaram lá ir ou acham que aquilo fica a anos de luz de Portugal:Num país onde a paz é algo recente, da nossa geração ex-colonial e não da dos nossos pais, acham ou não que isto pode acontecer numa rua perto de nós?

Numa rua perto de nós? Não creio. Nem em nenhum país da Europa. Nós temos formas normais de manifestar insatisfação, revolta, o que que quer que seja. Desde logo eleições livres (salvo fraudes pontuais :-) ), liberdade de imprensa, liberdade de expressão a todos os níveis... Estes tumultos são muito terceiro-mundistas. Isto não é depreciativo, é só o reconhecimento que esta é a única forma de as pessoas se fazerem ouvir nestes países. É verdade que aqui também há episódios pontuais, como em França, mas não concebo uma coisa muito generalizada. Para já, pelo menos.
ResponderEliminarCaro Leite, embora eu ache que estamos a um nivel diferente, deixa-me só lembrar-te o exército francês nas ruas de Paris e arredores bem recentemente. Imagens de pedras arremessadas, carros a arder e policia de choque na rua são a prata da casa no país da Egalité ;)
ResponderEliminarNão estou a ser alarmista e apenas pretendo lançar a questão, mas repara que para além da questão democrática e das liberdades, que são cruciais, não o nego, estes povos revoltaram-se tambem contra o desemprego (em especial a nivel dos jovens), subida de preços, etc...neste último aspecto e com as devidas distâncias, o tema é comum.
Meu caro Fil,
ResponderEliminarUma coisa é o que o povo de Chelas, Miratejo ou outros estão dispostos a fazer (que foi o caso de Paris). Outra bem diferente são as pessoas ditas "normais". Estás-te a vêr em pleno Marquês de Pombal a arremessar pedras e a incendiar carros? Também me parecia que não...
Abraço
A
Caro A, já foste ao Marquês em dia (raro) de festejos benfiquistas pela conquista de um campeonato?
ResponderEliminarTio Bouça
Por acaso até estou, precisava tanto de desabafar :)
ResponderEliminarIr ao Marquês em dia de campeonato benfiquista exige como medida de precaução minima, não levar a carteira nem relógio LOL
Lá por falar em gente mafiosa, escusavam logo de aparecer todos...
ResponderEliminarAbraço
A