3 de dezembro de 2010

Wikileaks

Muito curioso este artigo no blog "All That's Interesting". No fundo a pergunta que se faz é: O que é que Julian Assange tem para aínda não estar preso desde que revelou imagens de um helicoptero Apache dos E.U.A. a alvejar dois jornalistas da Reuters? Isto enquanto Manning, o militar que lhe passou o video se encontra há 191 dias preso e a enfrentar uma acusação que lhe poderá custar 53 anos de prisão.

(Foto de Assange, descaradamente desviada do blog acima mencionado)
Faz-se notar ainda que este homem, agora um "most wanted" da INTERPOL, apesar de ter em seu poder centenas de milhares de documentos classificados do Departamento de Estado Americano, violando assim "n" códigos criminais, não foi acusado pelos E.U.A. mas pela Suécia, e sob suspeita de uma violação sim, mas de cariz sexual.

Depois refere-se à estranha capacidade que o homem mais procurado da INTERPOL tem demonstrado ao viajar incógnito pelos mais diversos países, sem que ninguém o consiga detectar (chegando ao cúmulo de ter dado uma entrevista à Time Magazine via skype na última terça-feira a sugerir entre outras coisas a demissão de Hillary Clinton!?!) e termina especulando com o ar incomodadissimo da vice-presidente ao falar perante as câmaras sobre esta última fuga de informações. O que fica no ar obviamente, é uma óptima história de conspiração para Hollywood sobre um homem que sabe demais e que por isso, tem um poder de negociação gigantesco que o mantém invisivel e livre até hoje...Que acham? A realidade supera a ficção ou é o contrário?

3 comentários:

  1. Não sei qual é a agenda deste gajo, e entendo que o princípio de se ser permissivo para com a publicação de segredos de estado é extremamente perigoso
    Mas a verdade é que tendo a gostar da iniciativa dele e do quanto ele está a incomodar quem mais merece.

    Acho que tudo deve ser feito para prender este criminoso que aje à margem da lei, que bem redigida pune este tipo de crime lesa-pátria, mas espero que nunca o apanhem e que ele continue a expor os podres não só do governo americano como o de outros e mesmo o de empresas privadas. Tudo devidamente proibido e fora da lei como deve ser, que defendo que as leis devam punir este tipo de atitudes, mas que se aguente clandestino por muitos anos.

    É bom que de vez em quando alguém lembre aos todo-poderosos que o povo tem os seus meios, por vezes tortuosos, de controlar o trabalho dos seus representantes e que eles não estão acima de tudo e de todos.

    A ausência de um controle efectivo face à opinião pública é tão perigoso quanto o desvendar de segredos de estado, donde por vezes se fazem necessários expedientes "extra-legais" para fazer esse serviço.
    De que outra forma se controlará o trabalho dos militares e dos serviços secretos, por definição secretos?

    Prendam o gajo, mas como dizia o Asterix: Que amanhã não seja a véspera desse dia".

    Tio Bouça

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  2. Eh pá, ora vamos lá ver isto: Investi uma meia hora a ver um exemplo de um destes escândalos referidos no Wikileaks - o da morte por soldados americanos num helicóptero Apache de civis, 2 funcionários da Reuters e do ferimento de duas crianças.
    O que eu vi foi uma equipe de soldados num processo de reconhecimento de um ajuntamento a cumprirem com uma série de procedimentos de avaliação, a partilharem em grupo o seu assessment e a intervirem quando se convenceram que os alvos eram militares e estavam armados.
    Vi um erro de julgamento, é certo, vi-os a confundir uma máquina fotográfica com uma arma, mas também vi outras pessoas aparentemente armadas (erro de julgamento meu?). Um soldado nestas circunstâncias age em função da sua avaliação da situação. Claro que ele não pode ter licença para matar, e por isso vi também que ele solicita sempre autorização para disparar aos seus superiores. Vi que toda a situação é filmada, o que previne, ou minimiza, arbitrariedades dos soldados. Isto parece-me, dentro do contexto grotesco de uma guerra, algo civilizado. Pelo menos mais do que do outro lado, acredito.
    Houve erro de juizo? Sim, claro. Mas eu até consigo compreendê-lo, apesar das consequências.
    Feriram-se crianças? É verdade, mas era impossível saber da presença delas.
    As duas coisas realmente nojentas aqui são:
    1. A ocultação do evento pelo exército. Erra-se, assume-se. Foi assim que eu aprendi.
    2. Recusar assistência médica às crianças mandando-as para hospitais civis para evitar responsabilidades.

    Mas este é apenas um exemplo. Certamente há muitos outros que configuram verdadeiros lixos...

    Tio Bouça

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  3. Caro Bouça, obrigado pela (longa) exposição, eu também espero que o tipo ande cá fora uns bons tempos e o exemplo que tu dás dos gauleses acaba por resumir toda a minha argumentação. É bom que os "romanos" ainda saibam que podem haver pessoas irredutíveis, mantém-nos em sentido e com a noção de que não vale tudo.

    No exemplo desse video, eu estou 100% de acordo contigo, compreende-se a dificuldade em avaliar a situação e o quão cruel pode ser uma guerra para os civis. Os soldados são igualmente manipulados e temem pelas suas vidas, o que os leva a ter que decidir muito rapidamente e por vezes, como se viu, de forma catastrófica. O que não se admite é a ocultação desses maus juízos, tal-e-qual.

    Mas a questão que me chama mais a atenção no caso de Assanje é imaginar o que poderá ter ele em mãos e que danos isso poderá causar. Estranha-me muito o facto de ele ainda andar em liberdade perante a afronta ao todo-poderoso establishment americano. Se calhar vai demorar pouco tempo, mas ainda assim já demorou demais, para eles. Da minha parte, que continue, na perspectiva de que a verdade deve prevalecer sobre tudo o resto.

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