14 de outubro de 2010

O louco de Lisboa

Ouçam a voz de um louco, portugueses, ouçam-na. Ouçam uma visão diferente neste mar de palha, neste oceano de mansidão. Esqueçam tudo o que está convencionado. Esqueçam o deficit do Estado e a inflacção, esqueçam a obsessão das metas da Europa, esqueçam as empresas de rating, esqueçam os "mercados externos" (o mais recente e pavoroso papão desde a Cuca, do Sitio do pica-pau amarelo e o Alien de Ridley Scott), esqueçam as medidas de contenção, os PEC's, tudo, esqueçam o que os economistas (quando é que foi a última vez que acertaram uma previsão?), doutores, engenheiros e sumidades afins debitam nos noticiários, painéis, debates, mesas redondas e quadraturas de circulos, esqueçam as análises, previsões, sound-bites e terrores indiscritiveis que se avizinham caso o Orçamento não seja aprovado, esqueçam a romaria dos banqueiros anunciando o Armagedão, esqueçam tudo isso. Desconfiem, desconfiem meus caros...

Quem são estes opinadores que nos entram por casa dentro, cuja caracteristica mais comum é precisamente a apresentação de uma linha comum, é precisamente não discordarem no essencial? Quem são eles? Vejamos, presidentes, ministros, candidatos a ministros, secretários de estado, ex-ministros com reforma dourada, banqueiros, administradores de empresas públicas e semi-públicas, administradores de golden-shares, aspirantes a tudo isto e outros tantos de bons rendimentos e melhor situação profissional, polvilhada com cachés e exposição mediática. Têm estes senhores os mesmos interesses que os meus caros leitores? Desde quando? Nunca. Estes senhores têm e querem manter um status quo, caros leitores, a todo o custo. Têm interesses contraditórios, não entre si, mas entre eles e a populaça, essa gente que por um lado, tem que continuar a trabalhar indefinidamente para os alimentar com impostos e aqueloutros, que lhes apaziguam as consciências, apanhando o pão duro que lhes atiram, ou se for dia de Missa, as sobras do jantar.

Vamos parar com isto, senhores, vamos pensar ao contrário, esqueçam tudo o que têm ouvido, esqueçam mesmo, formatem o disco. Vamos antes partilhar, em vez de reter, isso mesmo, distribuir, em vez de subtrair, invistam em algo realmente útil para o país, criador de emprego duradouro e sustentável, deixem-nos produzir mais, a nós, tratem-nos como gente e que gente seremos, descentralizem o poder que tanto vos apraz mas que nenhuma responsabilidade vos acarreta, responsabilizem-nos a nós, pois, depois paguem-nos proporcionalmente, deixem-nos sentir recompensados, estimulem-nos, baixem os impostos, deixem-nos respirar financeiramente, consumir desalmadamente, deixem-nos incentivar a indústria, o comércio, os serviços, deixem que a oferta se adapte a esta nova procura, deixem que a produção aumente, que cresça, deixem que o PIB aumente até reduzir a pó o rácio do déficit, deixem que o crescimento económico dispare, que as empresas estrangeiras se acotovelem por um cantinho no nosso país, neste novo e admirável país, de alta procura e baixos impostos, importem de novo os nossos pensadores e cientistas, tragam-nos de volta e paguem-lhes o que for preciso, eles que desenvolvam e apliquem as suas ideias inovadoras, mas entre nós, deixem que a Europa abra a boca de espanto, conquistem-na aliás, enviem de novo as Naus para o mundo novo, para os países em vias de desenvolvimento, para o terceiro mundo, espalhem-se e distribuam, distribuam, distribuam, semeiem que colherão. Tirem aos opinadores do parágrafo anterior, se não souberem por onde começar, procurem nas off-shores, levantem o sigilo bancário, vasculhem-lhes os bens, as quintas, as casas de campo, as acções, os fundos de investimento, as jóias das amantes, os andares na Rua Brancaamp, as pensões acumuladas, os diamantes de sangue do velhinho que diz que o povo tem que pagar a crise, tirem o que quiserem, porque era vosso quando o levaram, façam-lhes saber que neste país, os vigaristas são tratados como vigaristas, façam-lhes saber que nós é que somos os loucos, sim, mas por tê-los posto ao volante, no cockpit dourado e inebriante do poder. Digam-lhes por fim que agora chega, que não nos tornam a enganar. Ouçam a voz de um louco, portugueses, ouçam-na. Ouçam uma visão diferente neste mar de palha, neste oceano de mansidão.

Nota: Uff, einh? Heróis do Mar...Hihihi, nobre povo, einh?...bom, bom, agora vou ali à consulta no Júlio de Matos, antes que eles cortem a comparticipação, hahaha, mmm, nação valente e...e...

5 comentários:

  1. TRRIIIMM.. TRRIIIMM... TRRIIIMM...

    Responde o atendedor de chamadas:

    "Obrigado por ter ligado para o Júlio de Matos, a companhia mais
    adequada aos seus momentos de maior loucura."

    * Se é obsessivo-compulsivo, marque repetidamente o 1;

    * Se é co-dependente, peça a alguém que marque o 2 por si;

    * Se tem múltipla personalidade, marque o 3, 4, 5 e 6;

    * Se é paranóico, nós sabemos quem é você, o que você faz e o que quer.
    Aguarde em linha enquanto localizamos a sua chamada;

    * Se sofre de alucinações, marque o 7 nesse telefone colorido gigante
    que você, e só você, vê à sua direita;

    * Se é esquizofrénico, oiça com atenção, e uma voz interior indicará o
    número a marcar;

    * Se é depressivo, não interessa que número marque. Nada o vai tirar
    dessa sua lamentável situação;

    * Porém, se VOCÊ votou Sócrates, não há solução, desligue e espere até 2012.
    Aqui atendemos LOUCOS e não INGÉNUOS! Obrigado!

    momento de loucura generalizada :)
    ibd

    ResponderEliminar
  2. Reparem até onde chega a loucura. O cara-de-pau, sem-vergonha, incompetente ainda se vira para a oposição hoje, em A.R. e dispara "terminem com o tabu e assumam as vossas responsabilidades", importa-se de repetir? as responsabilidades de quem? O gajo ainda goza com isto, ó país, abre os olhos!

    ResponderEliminar
  3. e o naíf do coelhinho já deixou que o sócas o apanhasse nas intenções de voto.... como?!?!?!?!?!?!
    ABRAM OS OLHOS E OS OUVIDOS!!! que os bolsos já o sócas os escancarou!
    ibd

    ResponderEliminar
  4. Olha, e esta agora, "Subida do IRS é mais forte nos rendimentos mais baixos" in Público, aqui:

    http://economia.publico.pt/Noticia/subida-do-irs-e-mais-forte-nos-rendimentos-mais-baixos_1461051

    Ah grande socialista, caramba...Por favor, confesso que estou a ficar sem argumentos, alguém faça alguma coisa, rápido, quem pára estes delinquentes !?!

    ResponderEliminar