12 de outubro de 2010

O imbróglio

Passos resiste a pressões e inclina-se para chumbar OE
Em que ficamos? Inclina-se para chumbar ou ainda acredita que o Governo cederá? Alguém acredita que Passos Coelho resistirá à intensa pressão que vem de todos os sectores (só ontem, eram 3 ex-presidentes da República), inviabilizando assim o Orçamento?

E já agora, onde está a pressão sobre o Governo do engenheiro no país-das-maravilhas, afinal, o responsável pela catástrofe em que caímos? Eu sei que nunca estes demonstraram humildade e bom-senso mas em última análise, seriam esses os requisitos mínimos a exigir neste momento...ou em alternativa, pelo menos alguma vergonha na cara para darem o primeiro passo negocial em nome do país que ajudaram a falir.

19 comentários:

  1. O Sócas está doidinho para dar à sola. A questão é: Será o outro suficientemente estúpido para dar-lhe o pretexto perfeito? Se o fizer, para além de abrir a porta da fuga ao engenheiro ainda se arrisca a ficar ele com o odioso da falência do país, em meia dúzia de meses a opinião pública vai culpá-lo a ele. Será que vai ser assim tão estúpido? Não creio.

    NL

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  2. Pois, eu da minha parte já reservei uns contitos de reis dos antigos para ajudar à festa, mensalmente...e a coia promete ser "ad eternum". O que me custa não é dar o meu dinheiro de classe média remediada ao país se tal fosse por um prazo definido e o país melhorasse, o que custa realmente é dá-lo aos mesmos chulos incompetentes e sem que se veja fim à vista!

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  3. Eu já me mentalizei que não vou ver subsídio de Natal...

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  4. Calma, subsídio de Natal é só no próximo ano.

    NL

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  5. Epá, eu sinceramente já acredito em tudo, mas Raizão, não vês que nós fazemos parte daquele gang de bandidos públicos responsável pela crise? Não digo que não os haja, alguns estão à vista mas caramba, O endividamento privado vai nos 150 e tal % da riqueza produzida, os banqueiros prosperam, os ricos mandam dinheiro para off-shores, e eu? Pago isto tudo?

    Ainda ontem propus algo à consideração superior que acho que pode poupar bastante dinheiro à autarquia, a mesma que me paga o salário, o tal que sofrerá um corte em nome da nação e dos incompetentes que a representam. Eu pelo menos dei-me ao trabalho de pensar em algo em que acredito, logo se verá se funciona se não, se alguem aproveita se não...mas por vezes penso: Para quê? O que me faz ainda lutar por tudo isto? Brio profissional, pois claro, eu vou sempre continuar nisto (acreditem que é "defeito" pessoal), mas confesso a minha desilusão. Profissonalmente penso em poupar de um lado, pessoalmente dou parte do salário por outro, mas para quê, para quem? Quantos dos meus 50/60 € mensais restirados, darão para pagar os 150.000 € de uma qualquer festa da ANACOM? ou o novo BMW de qualquer novo assessor ou director geral? Uff, vou parar por aqui senão...

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  6. NL, essa era precisamente a minha resposta, mas entusiasmei-me ;)

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  7. Parece que andamos a brincar… Vai! Não vai. Fica! Não fica. Aprova! Não aprova.

    Dá o primeiro passo… não dá tu!

    Apenas o reflexo de uma das mais elementares e rudimentares características humanas. O orgulho. O actual estado do país não se compadece com este tipo de indecisões. A responsabilidade partilhada não pode ser apenas um mero exercício de retórica debitado em qualquer entrevista, comício ou visita a uma feira. Caso o orçamento não vá de encontro às pretensões do maior partido da oposição, a abstenção deverá ser o caminho a escolher e na minha opinião o melhor caminho. A abstenção com declaração de voto onde fique claro quais as divergências e qual seria o caminho a trilhar. Portugal sofre, desde muito, de uma crise estrutural que não se resolve com estes cuidados paliativos que, espero estar enganado, vão contribuir mais para a morte do paciente do que para um aumento da sua qualidade de vida mesmo a longo prazo. Estamos a entrar numa deriva demagógica de cortes cegos que embora possam reduzir a despesa (?) no imediato apenas vão agravar a situação no futuro…mas seguindo uma lógica tipicamente portuguesa chuta para a frente e depois logo se vê. Ora meu amigo… o logo se vê recairá nas minhas costas assim como nas tuas…

    O estado deve emagrecer. Plenamente de acordo. Mas é preciso muito cuidado na forma como emagrece. Não sei até que ponto que a extinção de institutos, empresas, direcções gerais e por aí adiante irá produzir o efeito que se espera até porque este tipo de medidas representam no imediato mais um custo do que propriamente uma poupança. O estado gasta muito e sobretudo gasta muito mal. Os benditos três “E’s” que até estão consagrados na legislação não parecem fazer parte do léxico da “coisa” pública. Repense-se o Estado. Avalie-se quanto ao mérito da gestão pública – quanto ao conteúdo e oportunidade – em suma, é preciso saber gastar.

    Nota de rodapé: até Julho 2010 a despesa pública grega caiu 14%, Irlanda 2,9%, Espanha 2,5% e Portugal…. Subiu 4%.

    D.A

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  8. "Repense-se o Estado", sim D.A., 100% de acordo, o timing é que é fraco, logo agora que não há tempo para parir um Orçamento de jeito, quanto mais o resto...repense-se o Estado com pensadores e pessoas de experiência e provas dadas, não com estes jotinhas que teorizam ciência politica entre um croquete e uma imperial no Gambrinus...

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  9. Fil, vais me desculpar, mas quem é que se vai meter neste molho de brocolos???!!!...
    Os bons não querem ir para lá...aliás aqueles que são bons estão se todos a ir embora do país...e sabes o que são???!!! Numa palavra: INTELIGENTES!!!

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  10. Quando me sinto pessimista, gosto sempre de vir às caixa de comentários...O que aqui vai pessoal, mas eu entendo-vos meus caros, como entendo...

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  11. Existe tempo... tem que existir tempo até porque como referi estes são cuidados paliativos a um moribundo. Estes cortes na despesa são, e isso será provado, insuficientes, para travar um aumento desmedido dos encargos do estado... A receita jamais se irá comportar como é esperado até porque com a diminuição do rendimento disponível o que vão arrecadar com o IVA será apenas um grão de areia, já par não falar dos efeitos que isso terá ao nível do desemprego. Acresce ainda que a asfixia será tanta que quando a economia europeia começar a descolar e consequentemente o Banco Central Europeu entender que esta coisa das taxas de juro tão baixas já não se justifica aí vamos ter um enorme problema porque vai acabar com a almofada que muitos portugueses agora têm. Todos estes cortes não são estruturais, são feitos a olho e isso nunca dá resultado…pelo menos bom resultado. Com uma economia que não produz como será quando não existir mais nada para cortar? Os tempos difíceis estão aí e para nós Portugueses ainda vão piorar, porque, insisto, temos um problema crónico ao nível do país e da sua estrutura produtiva (pública e privada) e quando esta crise em termos internacionais atenuar vamos nós mergulhar na nossa própria crise. Quando digo repense-se o Estado não me refiro exclusivamente à organização da administração pública, mas sim repense-se qual o papel do estado na economia e que medidas, podem e devem ser implementadas. Deixo-te apenas dois tópicos acerca dos quais temos que pensar e actuar: Educação e Justiça.

    Quer uma quer outra são fundamentais para termos um país competitivo mas qualquer medida nestes domínios não produzirá efeitos no imediato. Será ainda assim razão para as esquecermos? Não me parece. Não faz sentido pensar só no dia de hoje e em como vamos reduzir o défice ate 2013 até porque depois de outra crises outras virão e nessa altura o que fazemos? Estamos a optar pela saída mais fácil. É necessário cortar na despesa, melhorar a receita, mas através do aumento da produção e através de medidas estruturadas e não avulsas que vão acabar com o papel higiénico de folha dupla nos serviços públicos…isso sim um verdadeiro crime.

    D.A

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  12. "o papel higiénico de folha dupla nos serviços públicos"? LOL Ó amigo, isso é luxo que não mora na CMS, é coisa de ricos, estilo empresa municipal...nós caminhamos para o jornalito do dia anterior, de preferência desportivo...ouve-se dizer que o d' A BOLA é muito bom, mas os outros não devem ficar atrás.

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  13. Por falar em chutar a bola prá frente, há uns que já se puseram a vender game-box futuras... e depois queixam-se da belenização.
    Abraço
    A

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  14. LOL Caro A, parece-me que em termos de antecipação de receitas é melhor ficares no teu cantinho...nem os jogadores escapam, já estão em fundos quando os compram e antes de o ser já o eram, como a pescada. Não mandem pedras ao ar quando proliferam telhados de vidro.

    Mas como mostra da minha boa-vontade e hábitos de solidariedade, se quiserem mais contribuições do Estado lá para o clube para além de favores, terrenos e afins, não te preocupes, eu reservo mais qualquer coisa do meu salário para esses lados, afinal, máfia politica por máfia do futebol, é ela por ela e até convivem bem. O recém-milionário Vieira que diga só qual é a taxa de redução do meu vencimento, desta feita, que eu preparo-me para financiar os calotes que ele deixou nas empresas falidas que já fazem parte da sua história e se arrastam atrás dele à vista desarmada (menos para a justiça que nada vê nem nada sabe, claro).

    Mas a propósito é que vem isto??? Ah, falava-se de bandidagem, é isso ;)

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  15. Estou de acordo. O que mais entristece e desespera é a total aridez de soluções e de solucionadores. Até o Cavaco, de quem eu pessoalmente esperava uma postura mais enérgica e actuante, se fechou em copas e da janela do seu Palácio se remeteu a um "tenham juizo, meninos" claramente escasso nestas circunstâncias.
    "Faltam lideranças", ouvia há dias um Frei qualquer coisa dizer na Televisão via youtube. Eu sempre achei que faltava mais qualidade nos liderados do que nos líderes, e ainda acho, mas realmente a coisa configura-se cada vez mais para uma solução de ruptura com o regime tal como ele existe. Não vejo dentro do sistema uma solução (e nem solucionadores) à altura do desafio. E quando até o último reduto da Democracia (o Presidente) se remete ao silêncio, abre-se cada vez mais espaço para uma solução mais alternativa do que seria saudável. E talvez essa fosse a menos má das soluções.
    Menos má do que vir cá um FMI passar um Hirudóid até que a coisa fique de feição para que o problema se repita de novo num ciclo de mais 30 anos. Que é como quem diz, até que nós, os merdosos liderados, possamos de novo adormecer crentes de que tudo está bem enquanto um outro Sócrates nos canta, delico-doce, uma canção de embalar.
    NÃO! O problema é mais estrutural do que isso. O problema somos nós!
    Quando o regime não tem soluções, o que precisamos não é de um projecto de governo mas de um projecto de regime.
    Não se deixem enganar. Não tenho propensões para revolucionário de direita nem de esquerda, mas se alguém aí tiver alguma outra solução estrutural para o nosso problema, também ele estrutural, diga, por favor.
    O que eu gostaria é que isto emergisse do Presidente de quem eu esperava essa visão. Ou tão bom quanto isso, de um levante popular profundamente democrático, mas isso talvez seja utópico. Que emergisse então de lideranças intermédias, Associações, Ordens de qualquer coisa, classes empresariais ou profissionais. Em última análise as Forças Armadas desde que ao serviço de alguém não militar, eu sei lá. Não será impossível. Talvez hoje soubessemos gerir melhor um 25 de Abril.
    Alguém está interessado? Eu trato dos Cravos!

    Tio Bouça

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  16. "Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.”

    Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.

    1896!!!!!!!!!!!!!!!

    D.A

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  17. É curiosa a frequência com que tenho ouvido falar em 25 de Abril. A insatisfação é geral mas aqui o retrato de Guerra Junqueiro ainda me parece bastante actual...

    Haja saúde que eu apanhei uma gripe desde ontem como já não me lembrava há muito, estou cheio de comprimidos fortes para recuperar num dia, sim porque isto não ia lá com um "FMI a passar um Hirudóid" ;)

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