19 de outubro de 2010

Desabafo e desafio à vossa memória...Keep on rocking!!!


Devia ter cerca de 15, 16, 17 anos, sei lá, quando gravei a minha primeira canção. Gravei-a em casa do meu amigo NL, numa parafernália de ligações a uma mesa-de-mistura emprestada que obrigava a um esquema no papel para não nos esquecermos do segredo de ligações de cabos que punha a coisa a gravar, pelo menos. Não vos consigo descrever o amadorismo de todo o processo, sinceramente, mas tudo aquilo representava, no fim-de-contas, um sentido de missão do caraças, era um feito gravar uma pista de voz, quanto mais outra de viola por cima da mesma. Nessa altura as coisas gravavam-se em cassetes de Chrome Dioxid (na melhor das hipóteses) e com um único microfone, e por cada vez que se acrescentava uma pista, a qualidade da gravação reduzia-se drasticamente. O que é certo é que foi um milagre quando ouvimos pela primeira vez duas pistas sobrepostas e só o meu amigo NL e eu sabemos realmente o que isso representou. É perfeitamente indesculpável eu não saber qual a canção que gravei primeiro (For You? Lone Dreamer?) mas caramba, que se lixe! Não é isso que interessa.

O que interessa é que, por um segundo ou alguns dias ou meses ou anos, acreditámos na música e em todo o processo criativo e emocional que a envolve, acreditámos que alguém pode expressar algo significativo para um mundo que tenha interesse em escutar. Mais adolescente que isto é impossível, certo? O que é incrivel é que anos volvidos, este que não tem alma de performer nem nunca teve, continua a gravar, com condições infinitamente superiores, mas ainda assim de forma tão amadora como outrora e sempre com uma vontade enorme de deixar uma mensagem, uma lição em cada canção...A alma está mais no conteúdo e na harmonia que o envolve. Estúpidamente, continuo incorrigivel neste ponto, sem volta a a dar-lhe, isto num mundo onde o "parecer" vai batendo aos pontos o "ser". Ainda assim insisto em compor, de quando em vez, é algo que me invade e me obriga a pegar no papel, tirar notas e rimar frases, entre um acorde e outro. Persisto. O problema é que já não tenho a crença das primeiras gravações, a alegria contagiante, a convicção para mudar o mundo. Não tenho, em suma, a inocência dos 17 ou 18 anos. Fiquei mais desconfiado quanto às canções, mais descrente. Até posso compor e dizer melhor, hoje em dia, mas sinto-me tão longe daqueles tempos...tão longe...O que eu não dava para termos esta tecnologia de gravação naquela altura, em que a inocência, energia e convicção estavam em estado bruto...Enfim, não sei porque escrevo isto, sinceramente. Não sei sequer porque começei a escrever. Saudades? Vontade de ter feito outro percurso? Sei lá. Se calhar foi só nostalgia daquelas tardes NL, do entusiasmo, do sentimento de construir, de dizer algo, de ser alguém...Esqueçam pessoal, perdoem-me a falta de sentido disto tudo. Aproveitei o espaço para um desabafo, nada mais

...That's why i'm giving all my life, to the one who as the key, to all my life, and to the room were creatures play and worlds spin and burn, around my life, just screaming to the sky....

12 comentários:

  1. Confessa lá que o que tu querias realmente era fazer parte daquela banda intemporal que dava pelo nome de Even More. "Becarefull with the shadow man..." ou "She Loves Me...", isso sim, era expressar o que nos ia na alma! Mas tu, pá, continua, que a gente gosta muito de te ouvir...
    Abraço
    A

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  2. Os "Even More"!!! Esses teriam arrasado todo o panorama musical na altura! Rock Fuck'en Roll do melhor que se fez. Que pena essas músicas não estarem gravadas...E os "A Gente"? com hits como Zé Suicida, Zé Verão, Zé 18, etc...Isso era direito ao n.º 1 do top da Antena 3! E o nosso mano que chegou a ter uma banda, como é que se chamavam? Jack, the stripers? O que eu dava para ver aquela gravação onde eles tocaram na festa da escola, tenho que falar com a Sandra sobre isso...

    Ahahah, do que um gajo se lembra dessa altura. Lá está, o que eu queria retratar é uma certa nostalgia, mas também o brilho desses tempos. Tanta coisa que poderia estar feita de maneira diferente. Caramba. Hoje sinto-me um bocado velhote...

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  3. Pois é, já lá vão 20 anos... Também não me lembro da 1ª canção, mas apostava no Lone Dreamer. Ainda tenho o papel com a cábula para as ligações, só não sei onde está :-) E as cassetes originais também. Tenho um rico espólio, nunca devias ter assinado aquele contrato. LOL.

    NL

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  4. Está nas tuas mãos, está seguro, tu és o meu insurance de memória futura. A tua fortuna e felicidade será sempre a minha meu caro, a mim basta-me o reconhecimento dos poucos mas fiéis fãs, os melhores do mundo. Na verdade, tu sempre tiveste fé nas canções (por vezes mais do que eu) e ainda és o meu "ponto" quando a memória me atraiçoa. Obrigado por isso. E já agora, pensando bem, eu apostava no For You, mas não arrisco contrariar-te.

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  5. Aguardo aqui a participação de Ti Bouça, compositor de fino recorte, e que acreditando e incentivando sempre estas "cantigas" de seu amigo, ainda teve arte e engenho para me levar do estúdio à rua, algo impensável até ter acontecido...Que Verão aquele...

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  6. DESAFIO:

    Escrevam o que se lembram da música daquele tempo, dos Even More ao Hino ao Preservativo, do Nuno Mau ao Room that spins around, daquela cantilena do NL sobre um domingo em Cacilhas (LOL) até ao Story Teller, daquele Summer of 69 ao "i wouldn't aloud it baby", escrevam que eu junto as memórias e prometo publicar num post. Vá lá pessoal...Do género, eu lembro-me de tocar na Manjedoura com Ti Bouça em Milfontes e um casal estrangeiro nos ter oferecido uma garrafa de Vinho Branco JP (deviam estar a gostar)

    Nota: até já mudei o titulo do post ;)

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  7. Ai mestre, mestre... For You teria sido uma boa primeira gravação, acontece que essa NUNCA gravámos. LOL, anda este gajo a apelar às memórias... E esta:
    Bouça - "Yes it's true, I would like to go to bed with you"
    Gaja estrangeira armada em boa - "I wouldn't allow it, baby!"

    NL

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  8. Nunca gravámos o For You? Eu disse-te q não ia discutir ctg...LOL, vê lá...Ora aí está uma coisa a corrigir.

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  9. Essa do Bouça é melhor vivida que contada, mto boa...

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  10. Eh pá! Ainda vou a tempo? Uff... Desculpem lá, atrasei-me!
    Mas que grande salada de nostalgia por aqui vai. Até fui buscar uns CD's do Filipe para aguçar a memória. A minha preferida? Para sempre "The room that spins around", para mim digna de qualquer álbum dos melhores intérpretes. Isto sem qualquer exagero da minha parte.
    E já que vamos em "alembraduras", que tal as nossas andanças a tocar na rua com o trompetista meio alemão meio Costa-riquenho Andrés? "Hay que practicar, no?"
    E os sempre presentes Agentes da Otoridade em Albufeira a dizerem "E então? Lembram-se de nós?" enquanto davam uma cacetada a fechar a caixa da Beiroa (que não Braguesa, caraças) e que servia de repositório das contribuições dos passantes na rua enquanto tocávamos.
    E aquela festa surreal em Albufeira para a qual fomos convidados a tocar (contratados sem ser pago é ser convidado, não?) e que resultou em stress com o roubo do dinheiro dos donos dá casa, gajos nus ensaboados a dançar na mesa da sala, frigoríficos com cerveja até cima e o inesquecível "Rafael" do inenarrável Angel da Buraca?
    Ele há mais, mas para já vão só estas!
    E tudo patrocinado pelo Mc Gregor!

    P.S.: Ele há aqui muita private joke acessível apenas a dois ou três...

    Nuno Bouça

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  11. já meio off topic, o teu post fez-me viajar no tempo e, ainda mais agora, vou-te mandar por mail durante o fim de semana a tal letra "à la estombar" que te falei...
    Não te "sigo" pk nao uso estas modernices....só mesmo o meu site onde às vezes me escondo tambem... mas voltarei cá pra ver o que se passa ;)
    keep it up !

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  12. Meu caro amigo Filipe Rosa, gostei de te rever e é uma honra ter-te aqui na minha "casa". És sempre bem-vindo.

    Caro Bouça, continua a debitar histórias que isto não acaba nunca :) Este post aqui ficará como repositório de memórias.

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