No rescaldo do afastamento de Portugal não me causou espanto, infelizmente, que o assunto principal fosse Cristiano Ronaldo e não Carlos Queiróz. Chamem-lhe "conhecer o meu país e os portugueses" ou o que quiserem, mas não me surpreendeu nada que os "fait-divers" se sobrepusessem ao fundamental: A incompetência de um tipo de falinhas mansas e com um sorriso estúpido e cinico e que, ao contrário de Ronaldo, claro (que ficou pior que estragado por ter perdido e demonstrou-o) parecia até satisfeito com a derrota digna e honrada frente à Espanha. Não se quer aqui desculpar as atitudes piores ou melhores de um miúdo com o peso do país às costas, ao contrário do seu Seleccionador, marmanjão que vive de indemnizações e que nada assume na hora da derrota, mas convenhamos, não seria mais produtivo tentarmos perceber porque é que Ronaldo não consegue efectivamente jogar o que sabemos que joga em qualquer clube por onde passou? É que este sabe dançar, como já todos viram, talvez o problema seja mesmo a pista de dança e alguns (repito, alguns) parceiros de dança, a começar pelo "ensaiador". Termino com algumas palavras proferidas a este respeito por, coincidência ou não, vencedores portugueses contemporâneos (tal como Cristiano Ronaldo):
"Nas minhas equipas, quando ganhamos, ganhamos todos, quando perdermos, perco eu... por isso Ronaldo pode estar tranquilo e gozar as suas férias que na próxima época não deixarei que ninguém ponha sobre ele as responsabilidades de uma equipa" Mourinho 30/06/2010
"Há muita gente em Portugal que não sabe valorizar o Ronaldo, em Espanha é um jogador muito acarinhado, respeitado e em Portugal não, nem o valorizamos e isso é algo do nosso país. Temos que o valorizar, não esteve tão bem mas os grandes jogadores são assim", afirmou Jorge Jesus. O técnico "encarnado", que falava à margem da apresentação do equipamento alternativo do Benfica para a próxima temporada, considerou que as declarações do avançado do Real Madrid, após a eliminação frente à Espanha, foram um "desabafo sem intenção de atingir" o selecionador Carlos Queiroz." Jorge Jesus 30/06/2010
Em termos gerais não concordo, como sabes, das reflexões aqui apresentadas acerca do rescaldo sul-africano. Em relação ao Cristiano Ronaldo (CR) ser o centro das atenções nesta altura não se deve, a meu ver, ao “feitio” do país e dos portugueses, mas sim ao facto de as grandes estrelas serem sempre o foco principal de análise, ainda para mais quando elas próprias promovem, com vários comportamentos e atitudes, a atenção da crítica. O que supostamente devíamos estar a comentar era que o CR, um dos melhores jogadores do mundo, tinha feito um bom Mundial e que contribui com a sua qualidade técnica, capacidade de desequilíbrio e atitude para o desempenho da equipa das quinas na competição. Ao invés somos obrigados a reconhecer, pelo menos a maioria, que durante os 4 jogos, exceptuando uns minutos contra a poderosa Coreia do Norte, nunca mostrou qualidade, nunca desequilibrou e NUNCA mostrou atitude dentro do campo, quer como 1 entre 11 quer como capitão de equipa. Se há criticas a fazer ao Carlos Queiroz, e se as há, a mais importante para mim foi nunca ter tido coragem de meter o CR no lugar dele. Deixar marcar livres a distâncias que só por milagre dariam resultado, marcar livres laterais quando ele é um dos melhores a jogar de cabeça, nunca auxiliar defensivamente a equipa, constantes amuos e poses para câmaras, são erros que responsabilizam directamente o treinador. Será que um jogador por ser estrela pode dar-se ao luxo de jogar mal e jogar sempre, aquela história que a qualquer momento pode decidir não acolhe da minha parte grande concordância. As suas atitudes no final do jogo com a Espanha são a todos os títulos vergonhosas, a ida para o balneário sem agradecer aos adeptos (a mais grave), a cuspidela, a resposta aos jornalistas (não tanto o que disse, mas a forma como o disse), tudo isto exemplos do que um jogador de futebol não deve fazer, quanto mais o capitão de equipa (só na teoria). CR não é o único culpado de tudo o que de mau aconteceu, mas também não deve fugir às suas responsabilidades e às críticas que lhe foram feitas. Há jogadores que na selecção gostam muito de falar e reivindicar (coisa que não fazem nos clubes), tipo Simão e Deco, e que depois dentro de campo têm exibições paupérrimas. Como é que ambiente pode ser bom quando se convoca dois laterais direitos de raiz e depois coloca-se um central nessa posição. A postura sempre de expectativa com os 3 adversários mais fortes resultou em dois empates e uma derrota com zero golos marcados e um sofrido. Quem joga para empatar acaba perdendo na maioria das vezes. Agora concordo que será difícil tira o homem de lá, nunca se demitiu na vida, não era agora que o ia fazer.
ResponderEliminarEm relação às declarações de Mourinho e do grande JJ só me apraz dizer que o special one só diz o que diz porque será seu treinador, se não o fosse acho que até seria o primeiro a criticá-lo como já fez inúmeras vezes quando eram adversários (a coerência só está ao alcance de alguns). Quanto ao JJ é uma opinião, não é “jurisprudência” como se tem constatado pelas mais variadas reacções, destacando nestas a de Luis Figo.
RC
Não me apercebi nunca de falta de atitude em campo, quando muito excesso...O Queiróz podia ter começado por pô-lo no lugar dele, concordo, como por exemplo não o deixar a jogar como ponta-de-lança, como aconteceu mais que uma vez, inclusivé contra a Espanha, depois de Hugo Almeida sair e onde calculo que jogaria até aos penaltys, caso não acontecesse um golo espanhol que matou a "digna" estratégia de Queiróz. De qq modo julgo que a moral no post é muito mais que discutir a prestação de Ronaldo, que todos concordam que poderia ser superior. É mais o não nos perdermos com coisinhas assessórias, mas mais com a quantidade de trapalhadas que se viram, desde o apuramento à convocatória e até aos onzes escolhidos, a começar em Nani, a passar por Deco e a acabar em Ronaldo, todos eles jogadores titulares de caras...Só não gosto de ver um Queiróz a fugir com o rabo à seringa ajudado pelos media, quando se sente à distância que grande parte dos jogadores não podem com ele nem o respeitam. Ele há-de passar e Ronaldo, se Deus quiser, há-de ficar por muitos anos (espera-se que devidamente acompanhado e orientado).
ResponderEliminarNota: Isto até porque no dia em que Portugal se der ao luxo de começar a abdicar de jogadores como Ronaldo, então calculo que nos bateremos de igual para igual com...Malta, Luxemburgo ou Coreia do Norte.
ResponderEliminarA questão é controversa, de facto.
ResponderEliminarEm primeiro lugar eu pura e simplesmente não acredito no conceito de "falta de atitude" no contexto de um Mundial. Por muito que um jogador ganhe, por muitos sucessos que tenha já obtido, aquilo que está em causa num Mundial é algo que em nenhuma outra circunstância pode ser obtido: Glória a um nível que não existe em nenhum outro contexto. Não se trata obviamente de dinheiro. Para os menos bons será a oportunidade de serem vistos e de ascender a um outro plano profissional. Para outros, como o Ronaldo, que já ganharam muitas coisas e dinheiro, trata-se da oportunidade de ficar na história como Maradona pelo que fez conta Inglaterra, como Zico, Sócrates ou Falcão pelo que fizeram em 82, como Puskas pelo que fez há tantos anos e que ainda hoje é lembrado, como Zidane pelo que fez mais recentemente.
Assumir isso é desprezar algo estrutural na condição humana e que é a vontade de se perpetuar e de ficar na história. Por isso tenho a certeza que o Ronaldo se propôs a dar 200% de si mesmo em todos os jogos. Assim como todos os demais jogadores.
Isto não significa que se deva isentar qualquer jogador - Ronaldo incluído - de culpas e responsabilidades pelo desaire nos oitavos de final. Ele jogou mal. O Fábio Coentrão ou o Eduardo, por exemplo, não. Mas se teve culpas foi apenas por não ter sabido nas circunstâncias em que actuou, fazer melhor do que fez. E isto serve para ele e para o Queiroz, porque o mesmo que referi acima sobre o Ronaldo e sobre os jogadores cabe ser dito sobre o Queiroz e sobre os treinadores. Ou alguém acha que o gajo não queria ganhar os jogos?
A questão não está relacionada não com o querer mas com o saber. O Queiroz queria ganhar, mas cagou-se todo. Pronto! Teve culpa! Os jogadores não souberam passar melhor as bolas uns aos outros. Pronto! Foi só isso. Opções erradas e falta de capacidade de fazer melhor.
Mas vamos lá ser objectivos. Jogando contra a Espanha o mais provavel era mesmo perder o jogo. Neste momento não temos equipa ao nível da deles e pronto! Noutras alturas tivemos e certamente voltaremos a ter, mas agora não. Não quer dizer que não pudessemos ter jogado melhor mas termos chegado às oitavas de final foi para mim na medida do justo e do esperado. Ir mais longe seria fruto de um conjunto de circunstâncias improvaveis.
Já sobre a atitude do Ronaldo. O que eu vi foi o gajo sempre chateado por não ver a coisa a andar e a render. E isso é típico de quem quer ganhar à força toda. Ninguém chega onde ele chegou sem ter atitude e uma vontade de ganhar férrea. Num Mundial ou numa peladinha de solteiros contra casados. Isso é uma das características de absolutamente todas as pessoas que chegam longe nas suas áreas de actuação, desportivas ou noutras. E quando alguém assim (e que é o que queremos na nossa selecção) perde, é normal que fique chateado e que cometa abusos.
Ele até pode ter side inadequado aqui e ali, mas nem eu acho que tenha sido grave e... que diabo, deixem para a mãe do gajo a tarefa de lhe puxar as orelhas pelas más criações que faz. Ou então para os adeptos das equipes adversárias. Ele já nos deu mais alegrias do que tristezas. Porque não acarinhar alguém que nos dá destaque e que eleva a nossa bandeira bem alto pelas coisas que faz?
Não estou a desculpar o Ronaldo, estou a compreendê-lo.
Já sobre o Queiroz... o gajo cagou-se. Ele tem culpa, claro, muita, e é óbvio que não cabe no lugar que ocupa, mas para além dele há a apontar nesta história o Madaíl por ter lá colocado alguém que não serve para assumir uma selecção num Mundial.
Têm culpa os jogadores, o Queiroz, o Madaíl e têm culpa quanto a mim todos os que execraram o Filipão sabe-se lá porquê, depois de ele nos ter dado tantas alegrias.
E a propósito: Quem está aí para criticar o Filipão, tão injustiçado no final da sua permanência em Portugal? Ou alguém acredita que ele não teria feito melhor nesta prova?
Anónimo, o Filipão dava 10-0 a Queiróz, e não tanto na questão táctica, mais na questão de identificação do grupo, de união à volta das ideias do próprio treinador e mais importantemente, por não prestar vassalagem a sistemas instituídos. Aliás, neste capitulo, seria interessante analisar a convocatória e mesmo os não convocados (subitamente) e ligá-los às movimentações do mercado neste defeso.
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