O primeiro livro "a sério" que li foi, julgo que por acaso, de Saramago e chamava-se "A Jangada de Pedra", de 1986. Lembro-me de com 14 ou 15 anos ir com o meu pai a uma cooperativa (aínda existiam) na Ajuda e escolher um livro que anunciava a sua 2.ª edição. Fiquei imediatamente vidrado numa ficção que separava a Peninsula Ibérica do Continente Europeu e lembro-me do bando de estorninhos que anunciava tal cataclismo.
Desde aí li inúmeros livros e fiquei viciado, não só por este autor de mais de 30 obras e que por coincidência veio a ser Nobel, mas por centenas de mundos que os livros insistiam em revelar-me. Dei por mim a defender Saramago em vários circulos de pessoas que o detestavam, como pessoa e como escritor (embora tenha sempre duvidado do cliché dos que não o liam pela pontuação e tal...) e também assim me senti ligado a esta pessoa brilhante, pouco pacifica, e que nunca mandava dizer por outrém. Entre várias, li as duas últimas obras dele, simpatizei incondicionalmente com este escritor, politica e religiosamente incorrecto, e na verdade, sempre achei que me fazia lembrar o meu avô. Nesta idade, estou farto de xoninhas e ele então devia estar saturado...
Senti-me genuinamentente mal pela sua morte, certamente pior do que as figuras que amanhã lhe prestarão homenagem. Paz à tua alma Zé.
As tais figuras a que eu me referia, afinal nem apareceram. Estou de acordo, chateia-me muito mais a hipocrisia...
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