Escândalo: Sarah Ferguson «caçada» a vender o príncipe André por 600 mil euros
Ora aí está, com direito a vídeo e tudo, à vista de toda a gente e sem desculpa imaginável. Clarinho como água e sem subterfúgio possível para esta duquesa de fachada. Repararam na facilidade com que noutros sítios se desmascara uma corrupta? Acham que deu muito trabalho? Sem tribunais, apelos, supremos, sem escutas escondidas, arquivadas ou destruídas, a verdade nua e crua, "on your face"! Aliás, a coisa é tão inequívoca que a própria assume, com pedidos de desculpas e lágrimas de crocodilo, a sua própria culpa, antes mesmo de ser julgada. Isto tudo em tão pouco tempo e de forma tão evidente que parece a antítese de certos países à beira mar plantados...
Não vou discutir a questão "filosófica" das regras e das leis versus apuramento da verdade, o que é mais importante para uma sociedade ou o que é mais ou menos ético, simplesmente fica a sensação que uma pessoa assim teve o que merece, viu-se obrigada a assumir a sua culpa, estará em principio impedida de continuar a corromper meio-mundo e pelo menos, passará a ser conhecida por todos como a pessoa que realmente é. Talvez se houvesse medo, os criminosos pensassem duas vezes, não sei. O que preferem, um eventual corrupto que segue a sua vidinha sem que um zeloso tribunal o chegue alguma vez a julgar ou um corrupto desmascarado com métodos mais ou menos discutíveis? À vossa consideração...
Pois... Cuidado. Essa questão posta dessa forma pode ser perigosa. Perante a impunidade que grassa é fácil assumir que a segunda opção é melhor, mas a história ensina-nos que um sistema onde hoje se flexibilizam as leis para servir a justiça redunda num sistema onde amanhã se flexibilizam as regras para servir outros interesses, dependendo de quem gere o dito sistema.
ResponderEliminarMas ela já está a ser accionada pela justiça de lá?
Caro anónimo (Ti Bouça?), não sei se já está a ser julgada, espero que sim. Para além da sua culpa assumida faltará a respectiva actuação da Lei. A questão é perigosa e sensivel, por isso a deixo "À vossa consideração"...
ResponderEliminarEu diria que existe sempre um contexto para o uso de determinados métodos mais radicais que se substituem ou antecipam à justiça. Felizmente, acontecem mais vezes quando as instituições que a deviam promover não o fazem, seja por incompetência, seja por se encontrarem comprometidas ou mesmo manipuladas, caso muito comum em ditaduras (heróicos casos em que alguém furou o sistema da única forma possivel, mais ou menos licita, para denunciar injustiças, pagando por vezes com a sua própria vida) ou mesmo em democracias permeáveis a lobbys, que parecem ser quase todas, infelizmente.
ResponderEliminarOra, os "media", pela importância que sempre tiveram e têm cada vez mais na nossa sociedade, são um sector necessitadissimo de valores e de quem os defenda afincadamente, passando tal coisa pela imparcialidade e apuramento e divulgação do seu maior valor, em meu entender: A verdade dos factos.
Pois, o ponto é esse. Nos países onde a justiça não funciona, a tentação de "fazer justiça pelas próprias mãos" é maior. Já que os tribunais não condenam, ao menos expoem-se os criminosos perante a opinião pública. Não é bom mas é preferível a suportar a impunidade. É o que acontece em Portugal. Os investigadores até fazem um bom trabalho, recolhem provas esmagadoras, mas depois é o que se sabe.
ResponderEliminarEm Inglaterra existe um claro exagero dos media no trabalho de investigação, mas isso por si só não é mau. Neste caso concreto, resta saber se perante estas provas a justiça actuará. É isso que distingue um país duma república das bananas. Estou em crer que os bifes estão a anos luz da nossa triste realidade.
NL
Exacto NL, as maiores revelações de crimes contra a humanidade foram sempre feitas na sombra, com métodos contra-poder e sob risco de vida, até porque nunca poderiam ser feitas à luz da lei que serve e protege esses mesmos regimes. Neste caso em particular (trata-se de uma democracia, obviamente) importa ressalvar a substância sobre a forma. A justiça informal já funcionou, falta a justiça formal. A verdade é o principio maior, em meu entender.
ResponderEliminarÉ verdade. Este é um caso em que os media cumpriram com o seu dever de desmascarar e divulgar prevaricadores. Função na qual são normalmente muito competentes (porque vende bem).
ResponderEliminarSó não sei se pelo facto de a situação ali criada ter sido promovida proactivamente pelo repórter na medida em que ele é que buscou o negócio proactivamente não tornará o filme inutilizável enquanto elemento de prova para efeitos de julgamento da senhora em tribunal. Aí em Portugal acho que inviabilizaria o processo todo (aqui no Brasil é assim de facto). É apenas mais um dos esquemas a que os advogados apelam para safar óbvios criminosos. Como houve da parte do investigador um estímulo e incitamento à prevaricação, isso deixa de funcionar como elemento de prova.
Por norma até concordo com o rigor da justiça quanto ao tratamento de processos investigativos, mas neste particular sou claramente contra. O princípio que defendo é o de que o cidadão tem tanta obrigação de não cometer proactivamente um crime quanto tem a mesma obrigação de recusar a sua prática quando a oportunidade lhe é colocada à frente. Não podemos ser honestos apenas quando está alguém a ver.
Tio Bouça (eu, de facto)
Tio Bouça, estamos de acordo caramba! Eu sabia que eras tu :)
ResponderEliminarNota: Destaco esta tua pérola para ser inscrita na Constituição da República imediatamente "O princípio que defendo é o de que o cidadão tem tanta obrigação de não cometer proactivamente um crime quanto tem a mesma obrigação de recusar a sua prática quando a oportunidade lhe é colocada à frente". Muito bom.